A Galp prepara-se para apresentar os resultados do segundo trimestre de 2026 num contexto particularmente favorável para o seu negócio, marcado pela subida dos preços do petróleo e pelo reforço das margens de refinação. Numa análise divulgada esta semana, a XTB considera que a petrolífera portuguesa reúne condições para apresentar um desempenho sólido, depois de as suas ações acumularem uma valorização superior a 30% desde o início do ano.
Segundo a corretora, a empresa deixou de ser encarada apenas como uma produtora de petróleo com forte exposição ao Brasil e passou também a assumir um papel relevante na segurança energética europeia, beneficiando do agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente.
A XTB destaca que a escalada do preço do Brent, impulsionada pelo conflito entre os Estados Unidos e o Irão e pelo encerramento do Estreito de Ormuz, fez aumentar não só o valor do crude, mas também os prémios dos produtos refinados, favorecendo as empresas com capacidade para manter níveis elevados de produção.
Os resultados do segundo trimestre, que a Galp divulgará a 27 de julho antes da abertura do mercado, serão, segundo a análise, o primeiro grande teste à capacidade da empresa para transformar este enquadramento em maior geração de EBITDA, fluxo de caixa e remuneração para os acionistas.
A corretora sublinha ainda que a refinaria de Sines entrou neste período com uma vantagem competitiva face a várias instalações europeias. Enquanto algumas refinarias enfrentaram dificuldades no abastecimento de combustível para aviação devido à dependência de importações do Médio Oriente, a unidade portuguesa conseguiu aumentar a produção de jet fuel, assegurando grande parte das necessidades do mercado nacional e reforçando a diversificação das fontes de abastecimento.
Na perspetiva da XTB, esta flexibilidade permitiu à Galp beneficiar do aumento dos chamados crack spreads — o diferencial entre o custo do petróleo e o preço dos produtos refinados —, que cresceram de forma significativa durante o segundo trimestre, impulsionando a rentabilidade da atividade de refinação.
Entre os indicadores que o mercado deverá acompanhar com maior atenção estão a evolução da margem de refinação, o EBITDA da divisão Industrial & Midstream e o free cash flow.
A corretora antecipa uma expansão expressiva da margem de refinação entre abril e junho, refletindo o impacto da subida das margens internacionais, bem como uma aceleração da rentabilidade operacional da área Industrial & Midstream, suportada pelo maior aproveitamento da refinaria de Sines e pelo reforço da produção de combustíveis de aviação.
Outro dos pontos-chave será a geração de caixa livre. A XTB considera que a combinação de preços elevados do petróleo, forte desempenho operacional e disciplina no investimento poderá permitir à Galp continuar a financiar dividendos, programas de recompra de ações e investimentos estratégicos, nomeadamente no Brasil e na transformação industrial da refinaria de Sines.
Apesar da valorização registada este ano, a corretora defende que a empresa continua a negociar a múltiplos competitivos quando comparada com outras petrolíferas europeias, beneficiando simultaneamente da exposição ao negócio de exploração no Brasil, caracterizado por baixos custos de produção, e do atual ciclo favorável da refinação.
Ainda assim, a XTB alerta que parte do cenário positivo já estará refletido na cotação. A evolução futura dependerá da confirmação de uma melhoria material das margens de refinação, de um EBITDA acima das expectativas e de uma robusta geração de caixa, fatores que poderão levar os analistas a reverem em alta as suas estimativas.
Como principal risco, a análise aponta para uma eventual normalização rápida das tensões geopolíticas no Médio Oriente, que poderá reduzir a pressão sobre os preços do petróleo e das margens de refinação. Enquanto persistirem constrangimentos na oferta global de produtos refinados, a corretora considera, contudo, que o perfil de risco-retorno da Galp continua a ser favorável.














