O CEO mundial da Audi reafirmou na terça-feira, durante a apresentação internacional da nova geração do super-desportivo R8, em Portimão, o objectivo de liderar o mercado mundial de marcas Premium até ao final da década.
“Já somos a marca Premium número 1 na Europa, Brasil e China e nos EUA estamos a crescer 11%, duplicando o ritmo médio do mercado”, afirmou Rupert Stadler.
No primeiro semestre do ano, a Audi vendeu 902 mil unidades, batendo todos os anteriores recordes, e Stadler prevê um número ainda melhor para a segunda metade do ano, abrindo a possibilidade da marca conseguir, já este ano, antecipar o objectivo anunciado para 2020.
Apesar deste bom desempenho, Rupert Stadler avisa “que é preciso ter em atenção a situação em algumas geografias, como a Rússia e o Brasil, onde há uma enorme turbulência, ou a Grécia, com implicações em toda a União Europeia, mas sobretudo nos países do sul, como Itália, Portugal, Espanha, mas também em França, “o único destes mercados onde as vendas já regressaram aos níveis pré-crise”.
No ano passado, a Audi deu início ao maior programa de investimentos da sua história, com o objectivo da se afirmar como o maior fabricante de automóveis Premium do mundo, até ao final da década, à frente das rivais BMW e Mercedes-Benz. O programa mobilizará um investimento total de 24 mil milhões de euros, em 5 anos, no desenvolvimento de novos modelos, de novos materiais leves, de motorizações alternativas (eléctricas, híbridas e de pilhas de combustível) e na melhoria da conectividade dos automóveis à Internet.
“Estamos a preparar a mudança geracional dos nossos modelos, que envolverá 40% da nossa gama, a começar já com o novo A4”, explica Stadler. “É uma avanço estratégico pela tecnologia, com uma forte aposta na conectividade e na digitalização, na condução autónoma, na propulsão eléctrica e híbrida”.
Em 2020, a Audi terá uma gama de 60 modelos, mais dez que actualmente e fará 40% das suas vendas anuais com SUV e crossovers. “Já decidimos avançar com o pequeno SUV Q1, que será lançado em 2016, e com o grande e luxuoso Q8, agendado para 2017”, adiantou Stadler, embora sem confirmar o o lançamento de uma gama de SUV mais desportivos, que segundo a imprensa especializada se estreará com o Q4 e ocupará todas as designações alfanuméricas pares entre o Q1 e o Q8.
No final do ano passado, a Audi renovou o seu coupé TT, a que se seguiu, já no decorrer deste ano, o lançamento da variante TT roadster. O SUV compacto Q3, o executivo A6 e o compacto A3 são outros modelos que também já foram actualizados em termos de design e motorizações. Em Junho, a marca lançou a segunda geração do grande SUV Q7 e no último trimestre do ano chegará à Europa o novo A4, o modelo mais sucedido da gama. Pelo caminho, apresentou à imprensa mundial, esta semana, no Algarve, a segunda geração do super-desportivo R8.
Do ponto de vista do design, o concept Prologue antecipou o estilo dos futuros Audi. Dos planos de produtos para o próximo ano, Stadler exclui a possibilidade de uma variante carrinha do luxuoso A8, o topo de gama da marca que será actualizado no início do próximo ano. “Infelizmente as carrinhas são populares apenas no mercado Europa, pelo que não há procura mundial suficiente para justificar a produção de uma carrinha”.
A Audi também não produzirá monovolumes compactos, recusando entrar num segmento que é uma aposta recente das rivais BMW, com o Série 2 Active Tourer, e Mercedes-Benz, com o novo Classe B.
A estratégia de Stadler aposta nos crossovers e SUV, que em 2020 deverão representar 40% das vendas mundiais da marca e que são os motores do crescimento do mercado. “Os SUV têm uma taxa de conquista maior que a dos monovolumes, mesmo nos segmentos pequenos e compactos. Os consumidores têm uma maior propensão para mudar para um SUV e pagar um preço Premium por eles, porque eles são considerados mais emocionais”. Uma decisão que Stadler justifica como o facto da Audi se pretender afirmar mais como uma escolha emocional, do que como uma compra fria e racional.
Metade dos investimentos previstos no plano a cinco anos terão a ver com a incorporação de tecnologia em todo o tipo de modelos. “A Europa não pode perder terreno para as tecnológicas de Sillicon valley, que estão de olhos postos no automóvel do futuro”, em linha com a crescente integração da indústria com o mundo digital.
“Para os fabricantes europeus, o savoir faire estratégico será elevar o automóvel ao nível da inteligência artificial, com todas as novas tecnologias e sistemas inteligentes e até com a capacidade dos sistemas aprenderam e se desenvolverem por si mesmos. A condução autónoma é um dos exemplos desta revolução”, esclarece Stadler.
“As nossas próprias fábricas são, hoje, inteligentes, com maior integração entre homens e máquinas, o que resulta em enormes ganhos de produtividade”.
“A electrificação é outro passo. É importante encontrar soluções de carregamento, rápidas, confortáveis e agradáveis para o cliente e aumentar a capacidade de armazenamento, para aumentar a autonomia das actuais baterias”, refere Stadler, adiantando que vão lançar um SUV com uma autonomia superior a 150 Km.
Convicto de que os motores de combustão com caixas de velocidades vão perder importância, o CEO da Audi alerta para o facto dos fabricantes de automóveis “terem também de estar preparados para uma fase pós-electrificação, numa próxima vaga, em que a solução será a pilha de combustível”.







