Os professores classificadores ainda não receberam as credenciais necessárias para corrigir o exame de Português do 12º ano, avança a ‘TSF’. Os dados deveriam ter sido disponibilizados esta terça-feira, mas os docentes continuam sem conseguir aceder à plataforma, o que reduz o prazo disponível para a classificação das provas.
O atraso está a gerar preocupação entre diretores e sindicatos, numa altura em que o calendário dos exames nacionais é particularmente sensível para milhares de alunos. Em declarações à ‘TSF’, o presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, admitiu que o prazo para a correção “pode estar comprometido”.
A data prevista para a entrega das classificações é 6 de julho. Com a falha no acesso à plataforma, os professores têm agora menos tempo para concluir a correção das provas, o que pode ter impacto nas etapas seguintes do calendário.
Filinto Lima alerta sobretudo para o risco de comprometimento do “dia D”, a afixação das pautas, marcada para 14 de julho. O responsável sublinha que qualquer atraso nesta fase pode repercutir-se nos procedimentos posteriores, incluindo os que dependem dos agrupamentos de exames e da própria tutela.
Perante o impasse, o presidente da Associação de Diretores identifica duas possibilidades: o Ministério da Educação pode convocar mais professores classificadores para tentar recuperar o tempo perdido ou pode encurtar os prazos das fases seguintes.
“Porque a seguir há a entrega das provas pelos professores, e essa entrega, de acordo com o cronograma, termina dia 6 de julho. Há mais cinco fases seguintes, que são mais dependentes não tanto das escolas, não tanto dos professores, mas mais dos agrupamentos de exame e da própria tutela, e poderão ter de ser encurtadas”, afirmou Filinto Lima.
A associação diz aguardar uma explicação do Ministério da Educação sobre a origem do atraso na disponibilização das credenciais. Para Filinto Lima, é essencial perceber o que está a impedir os docentes de acederem às provas e de iniciarem a classificação.
“Seguramente o Ministério da Educação terá algo para dizer a todos nós — aos professores e às escolas. Ainda não disse, não sabemos o que é que se está a passar”, criticou o responsável, acrescentando que a situação “começa a fazer mossa nos professores”, que querem cumprir a sua função mas continuam impedidos de trabalhar.
Filinto Lima sublinhou ainda que as escolas “cumpriram rigorosamente” o cronograma definido pela Educa, lamentando que a tutela pareça não estar a cumprir o mesmo calendário.
A digitalização das provas pode estar na origem do problema, admite José Feliciano Costa, secretário-geral adjunto da Fenprof. O dirigente sindical reconhece que este processo pode explicar o atraso na entrega dos acessos aos professores classificadores.
A Fenprof vai pedir esclarecimentos ao Governo, considerando que a situação pode ter consequências relevantes para os estudantes. José Feliciano Costa lembra que os exames nacionais continuam a ter um peso decisivo, tanto na conclusão do ensino secundário como no acesso ao ensino superior.
“No quadro atual, os exames nacionais são ferramentas decisivas. Para já, estes exames certificam a conclusão do ensino secundário e funcionam também como prova de ingresso para o ensino superior”, afirmou.
O dirigente sindical sublinhou que estão em causa “milhares e milhares de jovens” que dependem destas provas para o seu percurso académico e para o planeamento da próxima etapa de vida.














