Não é de agora a preocupação relativamente à segurança e privacidade dos dados recolhidos por tecnológicas chinesas, sendo a Huawei uma das empresas mais mencionadas. Porém, um caso em discussão no tribunal alemão de Düsseldorf poderá dar nova força aos receios e abrir a porta a uma investigação mais aprofundada.
Segundo aponta o site Politico, um antigo executivo da Huawei coloca em causa o cumprimento e respeito das regras da União Europeia no que à recolha e tratamentos dos dados diz respeito. O gestor pediu acesso à informação que a empresa tem sobre si, mas a Huawei terá recusado. O caso seguiu para tribunal e um juiz determinou, a 5 de Março, que a Huawei estava em incumprimento, exigindo que a tecnológica apresente quais os dados que manteve sobre o profissional, bem como o respectivo propósito.
«Eu simplemesmente pedi-lhes para me dizerem que dados tinham, o que é que apagaram, quanfo apagaram e que dados ainda têm», explica o queixoso ao Politico. Tendo em conta que a Huawei não cumpriu a exigência do tribunal dentro do prazo estipulado, o juiz avançou com uma multa de cinco mil euros.
Em declarações à mesma publicação, o antigo gestor conta que a Huawei justifica a falta de resposta com a impossibilidade de apresentar os dados pedidos: diz que foram apagados. «É uma piada», garante o autor do processo, avançando que vai continuar a batalha judicial.
De acordo com o Politico, este caso poderá ser uma espécie de caixa de Pandora, que levanta questões sobre a operação da Huawei. No seu site, a tecnológica chinesa garante que respeita o novo Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD), mas sublinha que este documento permite a transferência de alguns dados pessoais para lá das fronteiras europeias.
No caso de Düsseldorf foi possível provar precisamente que dados do antigo executivo foram transferidos para a sede da Huawei na China, com base em “cláusulas contratuais padrão”. Ainda que aparentemente legal, fica o receio: estes dados ficam na sede da Huawei ou poderão ser partilhados também com o governo chinês?














