Anacom: Pandemia provoca aumento de 36% do tráfego de dados

Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que o crescimento teria sido de 19,3% em comparação com 2019», revela a Anacom.

Simone Silva

A crise de saúde pública da Covid-19 afetou muitos setores e o das comunicações não foi exceção, com a pandemia a causar um aumento de 36% do tráfego de dados fixos no ano passado, com mais ênfase no segundo trimestre, em que o incremento foi de 40%.

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A conclusão é de uma análise da Anacom. «Em 2020, o tráfego médio de dados fixos por acesso aumentou 55%. Estima-se que, devido à pandemia, este tenha tido um incremento de 36,3% face à tendência histórica (sendo maior no 2.º trimestre do ano com +40,2%). Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que o crescimento teria sido de 19,3% em comparação com 2019», revela num comunicado enviado às redações.

O relatório mostra ainda que «entre os usos das comunicações eletrónicas destaca-se o aumento da proporção de indivíduos que utilizaram a Internet para telefonar ou fazer chamadas de vídeo, que passou de 52,5% em 2019 para 70,5% em 2020, um salto de 18 pontos percentuais». A comunicação na área da educação através de um website (30,8%), a TV pela Internet (43,4%) e o envio de instant messaging (89,9%) foram outros dos serviços com maior crescimento.

No que diz respeito ao tráfego de encomendas, a Anacom verificou «um aumento de 20% em 2020, superior ao registado em 2019 (+14,1%). O crescimento do tráfego de encomendas também terá estado associado ao confinamento da população nas suas residências», adianta.

«Com efeito, o comércio eletrónico sofreu o maior aumento dos últimos anos, de acordo com o INE, reflexo do confinamento da população e do encerramento de estabelecimentos comerciais. Em 2020, cerca de 45% dos indivíduos referiu ter utilizado o comércio eletrónico nos 12 meses anteriores à entrevista, mais 5,8 p.p. que em 2019 e o maior aumento registado até ao momento».

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Quanto aos principais produtos físicos encomendados pela Internet em 2020, destacam-se o «vestuário e calçado» (60%), as «refeições entregues ao domicílio» (38%) e os «computadores, tablets, telemóveis, equipamento informático complementar ou acessórios» (37%).

Também as «comunicações de voz tradicionais» aumentaram devido à pandemia, com o tráfego de voz móvel por acessos a crescer 16,4% em 2020. «Estima-se que devido ao efeito da COVID-19, este tipo de tráfego tenha aumentado 11,9% face à tendência histórica (sendo maior no 2.º trimestre de 2020 com +15,9%). Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que o crescimento teria sido de 6,0% face a 2019», revela a entidade.

«O tráfego médio de voz fixa por acesso aumentou 7,0% em 2020. Estima-se que a COVID-19 tenha provocado um aumento de 22,2% em comparação com a tendência histórica (sendo superior no 2.º trimestre de 2020 com +30,4%). Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que este tráfego teria diminuído 12,2% em comparação com o ano anterior. De referir que o tráfego de voz fixa se encontrava em queda desde 2014», conclui ainda o relatório.

Por outro lado, a Anacom indica que «as alterações dos comportamentos de consumo resultantes da COVID-19 acentuaram a diminuição do tráfego de SMS, que já estava em queda devido ao aparecimento de formas de comunicação alternativas».

«O número total de acessos em local fixo não aparenta ter sido afetado pela pandemia. No entanto, em determinados segmentos específicos, identificaram-se eventuais efeitos das medidas excecionais e extraordinárias». Um exemplo disso foi a desaceleração da tendência de queda do número de assinantes do serviço de distribuição de sinais de TV por subscrição suportados em TV por satélite (DTH) e ADSL, no segundo trimestre de 2020.

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No caso dos acessos móveis, o número de acessos móveis pós-pagos e híbridos «registou uma ligeira diminuição nas primeiras seis semanas do período de pandemia. Esta diminuição foi mais acentuada no segmento não residencial. Posteriormente, os acessos móveis não residenciais diminuíram também durante o mês de agosto, embora de forma menos acentuada», revela.

«Também o número de utilizadores de Internet móvel registou um decréscimo em 2020, contrariando a tendência de crescimento que se vinha a verificar nos últimos anos. Por efeito da pandemia, estima-se que o número de utilizadores de Internet móvel diminuiu 4,2% em 2020», segundo a Anacom.

Por último, o organismo adianta que «o tráfego de serviços postais também diminuiu (-12,4% face ao ano anterior). Estima-se que a pandemia tenha tido um efeito negativo de 9,8% neste tráfego durante o ano de 2020. Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que o tráfego postal total teria crescido 2,9%».

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