Afinal, os cigarros eletrónicos são (ou não) seguros?

Nos Estados Unidos, foram reportados ao Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) doze casos de morte e 805 possíveis casos de doença respiratória grave, de origem desconhecida, mas possivelmente associados ao uso de cigarros eletrónicos.

Apesar de variável, a doença tem algumas caraterísticas comuns nos casos relatados: sintomas respiratórios (tosse, falta de ar, dor no peito), sintomas gastrointestinais (náuseas, vómitos ou diarreia) e sintomas gerais (febre, fadiga ou dor abdominal).

As autoridades norte-americanas estão a investigar a eventual relação causal entre os casos relatados e o uso dos e-cigarros, assim como as substâncias que estarão envolvidas. A maioria dos doentes reportou usar cigarros eletrónicos com tetrahidrocanabiol (THC), substância psicoativa presente na canábis.

Há vários dispositivos e líquidos diferentes disponíveis no mercado, mas em cerca de 80% dos casos os doentes reportaram consumir produtos com nicotina e derivados da canábis, como o THC ou o canabidiol (CBD). De momento, desconhece-se se a doença é provocada por toxicidade de algum destes compostos, por aditivos ou contaminantes desconhecidos ou por outras substâncias formadas quando se dá o aquecimento e vaporização dos líquidos.

Conselhos para defender a saúde respiratória

Até à data não há casos reportados na Europa, no entanto, perante estes números, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia emitiu algumas recomendações:

  • o uso de cigarros eletrónicos é perigoso e não é recomendado;
  • os grupos mais vulneráveis, como as crianças, adolescentes, adultos jovens, grávidas, idosos e doentes respiratórios crónicos devem evitar o uso de cigarros eletrónicos;
  • é especialmente perigosa a utilização de dispositivos comprados fora do comércio regulado, a sua utilização modificada ou a adição de líquidos ou óleos que contenham derivados da canábis ou outros aditivos;
  • os consumidores de cigarros eletrónicos que desenvolvam sintomas respiratórios agudos devem consultar o médico e fornecer-lhe informação sobre o produto que consomem;
  • os médicos que assistem doentes com quadro clínico semelhante devem obter informação detalhada sobre o uso destes dispositivos e comunicá-lo às autoridades de saúde, em caso de suspeita.

Os cigarros eletrónicos ou e-cigarros podem ser menos nefastos do que o tabaco tradicional, mas não são inócuos, alerta a DECO.

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