Por Rafael Paiva Reis
Foto de Paulo Alexandrino
Assume-se como a maior rede de viagens de autocarro de longa distância na Europa e agora quer afirmar esse estatuto em Portugal. A FlixBus, que está no País desde 2017, dedicando-se a viagens internacionais, aproveitou a liberalização do transporte rodoviário entre cidades portuguesas para criar uma rede doméstica. E o objectivo é claro. «Queremos ligar Portugal de Norte a Sul e ser líderes de mercado», afirma Pablo Pastega, director-geral da FlixBus para Portugal e Espanha.
A empresa nasceu em 2013, aquando da liberalização do mercado de transportes de longa distância na Alemanha e, hoje, assume-se como uma operadora transporte de nova geração e também uma plataforma tecnológica. No mercado português desde o Verão de 2017, a FlixBus disponibiliza mais de 20 trajectos internacionais, que ligam as 20 maiores cidades portuguesas a 50 cidades europeias, essencialmente em Espanha e França. Com uma estratégia assente em parcerias locais, a empresa alemã começará a criar linhas domésticas para unir as principais cidades portuguesas. Afirmando ter autocarros mais confortáveis e preços mais competitivos, Pablo Pastega está convicto de que as vendas da empresa irão aumentar exponencialmente, contribuindo, assim, para o objectivo de alcançar a liderança no mercado.
Sem descurar o negócio das viagens internacionais, este ano, a FlixBus adquiriu a francesa Eurolines, que tem várias linhas entre França, Suíça, Bélgica, Luxemburgo e Portugal. O objectivo é integrar todas, para fazer crescer o negócio internacional em 2020, contando com a boa performance em Portugal.
A FlixBus chegou a Portugal há cerca de dois anos, tornando-se no 20.º escritório da companhia na Europa. O que motivou a vinda para este mercado?
Quisemos trazer um melhor serviço a um melhor preço, sempre privilegiando o passageiro. E isso é algo que os operadores tradicionais em Portugal não têm feito, pois não estão devidamente focados no cliente. A FlixBus nasceu com essa mentalidade e toda a oferta privilegia o cliente. É por isso que conseguimos atingir a liderança na maioria dos mercados onde estamos presentes: alemão, francês, italiano, belga, holandês, polaco, sueco, entre outros. O que fizemos noutros mercados europeus será agora replicado em Portugal, com o intuito de alcançar, também, a liderança.
E que evolução registou?
Começámos com uma ou duas linhas, que vinham de França, com destino a Lisboa e Porto. Desde então, contamos com 20 linhas que ligam Portugal a várias cidades de Espanha e França. Hoje é possível ligar Lisboa a Barcelona, Valência, Málaga, Sevilha, Galiza, Andaluzia e Estremadura.
Com a liberalização do transporte rodoviário entre cidades portuguesas, a FlixBus irá expandir a sua presença no mercado. Em que consiste essa estratégia?
Vamos lançar uma rede doméstica de expressos, ligando as principais cidades portuguesas, numa primeira fase. Depois, alargaremos a estratégia de forma a contemplar outras cidades. Temos vindo a investir bastante no mercado mas, nos próximos meses e anos, vamos investir ainda mais para nos tornarmos líderes de transporte de longa distância em Portugal. Para tal, temos de conseguir ligar todas as cidades do País. Não sabemos quanto tempo irá demorar, mas esse é o nosso objectivo.
O que irá distinguir o serviço doméstico da FlixBus do das operadoras já existentes?
O mais tangível é verificado no interior dos autocarros. São todos novos, com menos de três anos, e cumprem requisitos como o Standard Euro 6, que obriga à redução ao máximo das emissões de CO2. Comparativamente com os veículos mais antigos de outros operadores, a nossa frota é menos poluente. Logo, é melhor. No seu interior, temos um maior espaço entre assentos, de 76 centímetros, quando a média está nos 68 centímetros.
Para além de espaço, temos também uma grande preocupação com a segurança. Todas as nossas linhas nocturnas têm dois motoristas a bordo, ambos activos. Ou seja, o que não está a conduzir está a supervisionar. Além disso, temos Wi-Fi de alta capacidade, através de dois routers, e ainda snacks a bordo.
E ao nível dos preços?
Segundo os nossos estudos, o preço médio de uma viagem em Portugal de uma viagem expresso é 30% mais caro que uma equivalente na Alemanha. Por isso, vamos apostar numa tarifa dinâmica. Se se comprar o bilhete com muita antecedência, o preço será muito económico. Se tivermos trajectos com pouca procura, iremos baixar os preços. E também subiremos os que têm muita procura, de forma a obter um equilíbrio.
Com a criação destes trajectos, conseguirão chegar a novos públicos…
Até à data, a tipologia de consumidor é tipicamente jovem, uma vez que apenas disponibilizamos viagens internacionais. Aliás, muitas das nossas linhas são nocturnas, porque a maioria dos jovens gosta de viajar neste período. Mas, com a criação desta rede doméstica, vamos oferecer um serviço adaptado a consumidores de todas as idades.
Em países onde já temos uma linha doméstica estabelecida, o nosso público é bastante diversificado.
Como irão comunicar esta expansão da empresa no País?
O investimento primordial será em marketing digital, pois é a forma mais eficiente de comunicar. Aliás, por toda a Europa, investimos, mensalmente, muitos milhões de euros nesta área. E temos uma rede de agências que vende os nossos bilhetes.
Vamos, agora, aumentar a nossa rede de agências em Portugal. Em França, temos quatro mil pontos de venda e queremos fazer algo semelhante em Portugal. No total, temos 25 mil pontos de venda na Europa. Contamos ainda com o nosso site e as nossas apps para a venda de bilhetes.
Esta expansão obriga ao reforço de recursos humanos e infra-estruturas?
O modelo de negócio da FlixBus recai em parcerias que estabelecemos com empresas locais de transporte. Aportamos toda a componente tecnológica e know-how, parte legal e regulatória, planificação de redes, comercialização, marketing e controlo de tráfego. Essas empresas apenas têm de gerir a frota de autocarros da FlixBus de acordo com os nossos standards de qualidade. À medida que formos desenvolvendo esta rede doméstica, vamos criando novos acordos com PME, essencialmente, num modelo de partilha de receitas, com ambas as partes a investirem.
Com a liberalização do mercado, receiam o aumento da concorrência, caso outras empresas decidam replicar a estratégia da FlixBus?
A concorrência é boa para todos, especialmente para o mercado, pois com a sua liberalização perde-se o fim de monopólios e permite aumentar a dimensão do mesmo. O facto de os clientes terem várias opções de escolha é benéfico para todos.
Com a estratégia traçada, quais as perspectivas de crescimento?
Portugal é um mercado muito interessante, com poucas opções de transporte, o que gera muitas oportunidades. Com a criação desta rede doméstica, seremos mais uma solução no mercado. Em Portugal, a utilização do autocarro para trajectos de longa duração é menor que em países como a Alemanha devido, em parte, aos preços. Com mais oferta e preços mais reduzidos, conseguiremos aumentar a dimensão deste mercado. E aumentar exponencialmente as nossas vendas.














