«Muitas vezes temos a informação, mas não a capacidade, o know-how ou as ferramentas para trabalhar essa informação.» As palavras são de Flávio Guerreiro, country manager da LPR, empresa de logística que entrega, recolhe e requalifica mais de 95 milhões de paletes por ano, em 11 países europeus.
Presente no primeiro dia do i-Data Meeting, evento organizado pela IFE by Abilways que visa contribuir para a literacia na área dos dados, Flávio Guerreiro explicou como se pode colocar a captação e análise de dados ao serviço das empresas. No caso específico da LPR, dado a conhecer esta manhã, a optimização de centros logísticos era o desafio a que a empresa se propunha responder. Contudo, ciente de que não tinha as competências necessárias, juntou-se a uma empresa especializada no tema, a Data Corner.
Segundo o responsável, as empresas até podem ter os dados e as ferramentas mas não conseguir fazer a ligação entre os dois lados da equação e é aí que podem entrar parceiros. «Muitas vezes, tomamos decisões sem grande fundamento, com base na experiência e na sensibilidade. No entanto, nada é mais seguro do que termos dados, nem que os dados só venham comprovar de facto que a nossa percepção estava correcta», conta Flávio Guerreiro. E foi precisamente isto que aconteceu no projecto desenvolvido ao lado da Data Corner.
A LPR queria optimizar a rede logística, mas para isso tinha de considerar o custo unitário da entrega das paletes, o custo da recolha (recolher uma palete em Trás-os-Montes ou na Azambuja não é igual) e, ainda, o custo do aluguer do espaço. Partindo destas três variáveis, foram traçados três cenários e aquele para o qual a empresa estava inclinada veio a revelar-se o mais correcto.
Implementado no início deste ano, o plano que decorreu desta análise de dados já tem resultados à vista: reduziram custos logísticos em 22% (poupança de 200 mil euros por ano só neste armazém). A nível do custo de aluguer do espaço, houve também uma redução de quase 40%. «Algo que para mim era quase impensável», adianta o country manager.
Até aqui, a definição de novas localizações desta rede de logística tinha sido feita sempre apenas com base na percepção. «Mas neste momento, tendo em conta que há empresas especialistas nesta área, nada melhor do que colaborar com parceiros que ajudam a ler os dados», sublinha Flávio Guerreiro, lembrando ainda que os custos e a receita não são os únicos factores. Há que considerar também a eficiência e com esta abordagem a LPR melhorou também a rentabilidade na região em causa.
Cândido Martins, Executive & Innovation manager da Cachapuz, também presente no evento digital, aponta para uma perspectiva semelhante à de Flávio Guerreiro. Acredita que a data science (ou ciência dos dados) pode contribuir para a construção de mapas e tendências orientadores do negócio.
Os dados disponíveis têm de poder ser analisados de forma corporativa e agregada, afirma o gestor, uma vez que a Cachapuz trabalha com unidades industriais com fábricas espalhadas por diferentes localizações – a companhia projecta, constrói e comercializa dispositivos e soluções integradas de pesagem. De acordo com Cândido Martins, só uma análise integral permite criar planos de actuação adaptados e de evolução e rentabilização continuada.
«Com base na nossa experiência, temos um sistema logístico mais cooperativo e que trabalha em tempo real, para promover a visibilidade, integração, segurança, controlo e automação. Para que todos os dados disponíveis nesta cadeia de fornecimento possam originar novos modelos de negócio, mais eficazes e muito mais rentáveis do que os actuais.»



