Nos últimos anos, o El Corte Inglés conseguiu colocar novamente a sua situação financeira no trilho certo, depois de atingir altos níveis de endividamento que levaram a empresa a vender parte de seu extenso portefólio imobiliário, incluindo alguns centros comerciais.
A esta operação, juntou-se uma melhoria dos negócios nos últimos anos e, com uma maior liquidez, acabou por conseguir reduzir a sua dívida. Contudo, também contou com um refinanciamento junto dos bancos dos seus passivos financeiros, o que lhe proporcionou melhores taxas de juros e, automaticamente, aliviou significativamente a fatura que tinha de pagar todos os anos sob a forma de juros.
Prova disso são os 113 milhões de euros que o El Corte Inglés pagou em 2019 como custos financeiros, registados nos relatório e contas enviado agora aos investidores. Esta é uma quantia expressivamente menor da que atingiu no ano anterior, de cerca de 195 milhões de euros. Nesse período de 12 meses, o El Corte Inglés conseguiu reduzir sua fatura financeira em 42%, composta basicamente por juros sobre a dívida, que passou de mais de 16 milhões por mês para pouco mais de 9 milhões.
No final do último exercício, a dívida financeira líquida do grupo alcançava 2.729 milhões, 19% a menos que no ano anterior e 30% a menos que o balanço apresentado no final de 2016. As despesas financeiras excederam 203 milhões anualmente, o que significa que desde então a despesa foi reduzida em 45%, quase metade.
Nestes três anos, foram mediados dois contratos de refinanciamento, embora o último tenha sido assinado no final de fevereiro e, portanto, os seus efeitos só serão observados nos próximos anos.
O primeiro foi fechado no início de 2018 e levou ao refinanciamento da dívida de 3,65 mil milhões. Um acordo essencial para entender a realidade atual do grupo e que preparou o terreno para o subsequente lançamento no mercado através do lançamento de 690 milhões em títulos.
O prospecto desta edição indicava que, em 28 de fevereiro de 2018, o El Corte Inglés tinha compromissos financeiros de 1.814 milhões de euros no prazo de um ano. Um ano depois, em 28 de fevereiro de 2019, esses valores caíram para 306 milhões, dos quais 236 correspondiam a empréstimos bancários.
No final de 2020, os compromissos para o próximo ano são de 733 milhões, dos quais 375 correspondem à renovação do programa de notas promissórias e apenas 28 à dívida bancária.
O refinanciamento assinado em 26 de fevereiro, pouco antes do final do ano fiscal, já entra em jogo nesse calendário, com um valor total de 2 mil milhões de euros por um período de cinco anos, prorrogável a mais dois e com uma taxa de juros média de 0 7%.














