A investigação do Ministério Público ao descarrilamento do ascensor da Glória, em Lisboa, que provocou 16 mortos há um ano, aguarda a conclusão de ensaios e peritagens prevista para o próximo mês de novembro, foi hoje divulgado.
Em comunicado, o Ministério Público refere que a sua investigação, independente daquela que está a ser feita pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), “aguarda a conclusão dos ensaios e peritagens técnicas que se prevê que deva ocorrer no próximo mês de novembro”.
De acordo com o organismo, depois será realizada a “análise minuciosa dos factos, a avaliação criteriosa sobre a suficiência de indícios e o apuramento de eventuais responsabilidades criminais, pelo que se estima que o despacho final de inquérito, salvo algum imponderável, possa ocorrer até ao final do primeiro trimestre de 2027”.
Desta forma, a divulgação ocorrerá na mesma altura que o relatório final ao acidente do ascensor da Glória do GPIAAF, que deveria estar pronto um ano após o acidente, em 03 de setembro, mas que, “devido à complexidade das peritagens técnicas”, tem agora previsão de publicação até “final do primeiro trimestre de 2027”.
O histórico ascensor descarrilou a 03 de setembro de 2025, pelas 18:00, num acidente que provocou 16 mortos, sobretudo turistas estrangeiros, mas também cinco portugueses: o guarda-freio André Marques, que operava uma das cabines deste equipamento gerido pela empresa municipal Carris, e quatro trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que utilizavam este transporte público.
O acidente provocou ainda 24 feridos, dos quais nove graves. Todos “permanecem sem a sua situação clínica definitivamente consolidada”, informou a seguradora da Carris, a Fidelidade, a 27 de agosto.
O relatório preliminar de outubro apontou falhas e omissões na manutenção do ascensor da Glória e a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.
A oposição na Câmara de Lisboa tem criticado a falta de informação e respostas da autarquia sobre o descarrilamento, pedindo um esclarecimento cabal do ocorrido, enquanto o presidente do executivo, Carlos Moedas, considerou “bem-vinda” a investigação judicial em curso, depois da realização de buscas da Polícia Judiciária na sede da transportadora.
Em julho, a Carris esclareceu que familiares das vítimas do acidente comunicaram que “ainda não tinham na sua posse as certidões de óbito” e revelou existirem então três processos de indemnização concretizados.














