Tempos de espera nas urgências voltam a subir para pulseiras vermelhas e amarelas

A ministra da Saúde afirmou recentemente que os tempos de espera nas urgências estão significativamente melhores do que há dois anos, mas os dados mostram diferenças consoante a prioridade clínica.

Revista de Imprensa

Os tempos médios de espera nas urgências do Serviço Nacional de Saúde voltaram a aumentar este verão para os doentes classificados com pulseira vermelha e amarela, enquanto os casos com pulseira laranja registaram uma melhoria em comparação com o mesmo período de 2025.

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Segundo o JN, os dados do Portal de Monitorização do SNS mostram que, entre 21 de junho e 23 de agosto, o tempo médio até à primeira observação médica foi de cinco minutos para doentes com pulseira vermelha, 14 minutos para os de pulseira laranja e 56 minutos para os de pulseira amarela.

Em relação ao verão de 2025, a espera aumentou de quatro para cinco minutos entre os doentes emergentes e de 51 para 56 minutos nos casos urgentes. Já entre os doentes classificados como muito urgentes, o tempo médio diminuiu de 16 para 14 minutos.

Pulseiras amarelas esperam mais do que há dois anos

A ministra da Saúde afirmou recentemente que os tempos de espera nas urgências estão significativamente melhores do que há dois anos, mas os dados mostram diferenças consoante a prioridade clínica.

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Nas pulseiras amarelas, a espera média deste verão, de 56 minutos, é superior aos 53 minutos registados em 2024. Já nos dois níveis mais elevados de prioridade, pulseira vermelha e laranja, os tempos melhoraram em comparação com há dois anos.

A triagem de Manchester estabelece que os doentes com pulseira vermelha devem ser atendidos imediatamente. Nos casos de pulseira laranja, o tempo máximo recomendado é de 10 minutos, enquanto nas pulseiras amarelas a referência é de 60 minutos.

Lisboa e Vale do Tejo com maior agravamento

De acordo com o JN, Lisboa e Vale do Tejo foi a região onde se verificou o maior agravamento dos tempos de espera, sobretudo entre os doentes classificados como urgentes.

Nestes casos, a espera média chegou aos 97 minutos, mais 17 minutos do que em 2025.

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Centro e Alentejo também registaram uma deterioração neste nível de prioridade, enquanto no Norte houve uma ligeira melhoria. No Algarve, o Portal de Monitorização do SNS não apresentava dados atualizados.

Vila Franca de Xira com 30 minutos de espera para pulseira vermelha

Entre as unidades hospitalares analisadas, Vila Franca de Xira registou o maior tempo médio de espera entre doentes com pulseira vermelha: 30 minutos.

Seguiu-se o Hospital de São João, no Porto, com 24 minutos, e o Amadora-Sintra, com 19 minutos.

No São João, os tempos médios aumentaram nos três níveis de prioridade mais elevados. O maior agravamento ocorreu precisamente entre os doentes emergentes, que em 2025 já esperavam, em média, 17 minutos.

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Em sentido contrário, o Hospital de Braga conseguiu reduzir os tempos de espera nos três níveis analisados.

Quase seis horas de espera no Amadora-Sintra para pulseira amarela

O caso mais expressivo entre os doentes com pulseira amarela foi registado no Hospital Amadora-Sintra.

Segundo o JN, o tempo médio entre a triagem e a primeira observação médica chegou aos 343 minutos, o equivalente a quase seis horas. Em 2025, a média tinha sido de 140 minutos.

No Hospital Garcia de Orta, em Almada, a espera média para pulseiras amarelas foi de 139 minutos. Em Santa Maria, em Lisboa, chegou aos 124 minutos, e no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, aos 114 minutos.

Entre estas unidades, apenas o Beatriz Ângelo conseguiu melhorar relativamente a 2024.

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No Centro Hospitalar de Gaia/Espinho, pelo contrário, os tempos médios desceram para um minuto na pulseira vermelha, quatro minutos na laranja e 28 minutos na amarela.

No Hospital Padre Américo, a espera média nas pulseiras amarelas subiu para 53 minutos.

Há menos urgências encerradas

Apesar do agravamento de alguns tempos de espera, este verão está também a ser marcado por uma redução no número de serviços de urgência encerrados.

A Federação Nacional dos Médicos, porém, alerta que manter as urgências abertas não significa necessariamente garantir uma resposta adequada.

André Gomes, presidente da Fnam, disse ao JN que existem situações em que os serviços funcionam com um número reduzido de profissionais, contribuindo para tempos de espera elevados e para uma resposta insuficiente. O dirigente sindical referiu ainda casos de retirada de férias que já tinham sido aprovadas.

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Os dados mais recentes da Direção-Executiva do SNS indicam que, em junho, as urgências de obstetrícia estiveram encerradas durante 29 dias, bastante abaixo dos 88 dias registados em 2025 e dos 128 dias de 2024.

A Direção-Executiva reconhece, contudo, que continuam a existir constrangimentos estruturais, sobretudo relacionados com a disponibilidade de profissionais em determinadas especialidades e regiões.

Essas dificuldades tornam-se mais visíveis durante os meses de verão, períodos de férias e momentos de maior procura dos serviços de saúde.

O que significam as cores das pulseiras?

Na triagem de Manchester, a cor atribuída determina a prioridade clínica com base no risco apresentado pelo doente.

A pulseira vermelha corresponde a situações de emergência e risco elevado, que exigem atendimento imediato.

A pulseira laranja é atribuída em casos de risco elevado ou sofrimento intenso e tem como referência um máximo de 10 minutos de espera.

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A pulseira amarela identifica situações urgentes, mas sem risco imediato, devendo o atendimento ocorrer idealmente até 60 minutos.

A pulseira verde destina-se a casos menos graves e admite um tempo máximo recomendado de 120 minutos.

Já a pulseira azul corresponde a situações não urgentes e de baixo risco.

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