Uma nova ronda de negociações entre representantes da Ucrânia e da Rússia poderá realizar-se já em setembro. A possibilidade foi avançada por Kyrylo Budanov, chefe do gabinete presidencial ucraniano, numa altura em que os contactos diplomáticos continuam bloqueados e Moscovo mantém exigências consideradas maximalistas por Kiev.
Segundo o Kyiv Post, Budanov afirmou que as conversações estão atualmente suspensas, mas poderão ser “reativadas” em breve.
Questionado sobre a possibilidade de negociadores ucranianos e russos voltarem a sentar-se à mesma mesa, respondeu que espera que isso aconteça.
“E com os americanos também. Não conseguimos fazê-lo sem eles”, acrescentou.
Kiev já enviou novas propostas a Washington
As declarações surgem num momento em que os esforços diplomáticos mediados pelos Estados Unidos para terminar a guerra continuam sem avanços decisivos, apesar da intensificação dos contactos nas últimas semanas.
De acordo com o Kyiv Post, Volodymyr Zelensky confirmou que a Ucrânia apresentou novas propostas a Washington para tentar encontrar uma saída para o conflito.
O presidente ucraniano indicou que Kiev e os seus parceiros internacionais identificaram três elementos centrais para um eventual acordo: um cessar-fogo, a criação de uma zona económica livre e garantias de segurança com participação da União Europeia e da NATO.
Moscovo mantém pouca abertura para compromissos
Do lado russo, os sinais continuam a apontar para uma posição muito mais rígida.
Segundo informações citadas pelo Kyiv Post, Vladimir Putin não pretende retomar negociações com a Ucrânia antes de as forças russas conquistarem o restante território do Donbas.
As mesmas informações indicam que Moscovo pretende conservar as zonas ocupadas nas regiões de Sumy e Kharkiv e transformá-las numa espécie de zona tampão.
Putin já rejeitou publicamente propostas de desanuviamento limitado.
A 28 de junho, afirmou que a Rússia tinha recusado uma proposta para suspender ataques de longo alcance e limitar os combates às zonas parcialmente ocupadas de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia.
O presidente russo justificou a recusa com o argumento de que uma solução desse tipo permitiria à Ucrânia deslocar tropas para outras zonas da frente.
Pausa nos ataques de longo alcance pode ser uma das poucas vias possíveis
Apesar das posições russas, diplomatas começam a encarar uma pausa limitada nos ataques aéreos de longo alcance como uma das poucas medidas de criação de confiança ainda potencialmente alcançáveis.
A hipótese ganha relevância depois de vários meses de intensificação dos ataques de ambos os lados.
A Rússia tem aumentado os ataques combinados com mísseis e drones contra Kiev e outras cidades ucranianas, utilizando frequentemente mísseis balísticos em conjunto com grandes vagas de drones para pressionar as defesas aéreas da Ucrânia.
Kiev, por sua vez, intensificou os ataques em profundidade contra instalações petrolíferas, centros logísticos e infraestruturas militares russas, procurando atingir objetivos estratégicos longe da linha da frente e aumentar a pressão sobre o Kremlin.
Washington procura “novas ideias”
A 23 de julho, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reuniu-se em Manila com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov.
Após o encontro, Rubio afirmou que qualquer avanço diplomático exigiria “novas ideias”, depois de propostas anteriores não terem conseguido produzir resultados.
É neste contexto que Budanov admite agora a possibilidade de as negociações serem retomadas em setembro, desta vez com a participação direta dos Estados Unidos.














