Seguros crescem em Moçambique concentrados em Maputo e nos produtos tradicionais

O mercado segurador moçambicano cresceu 3,4% em 2025, mas continua fortemente concentrado na cidade de Maputo e no seguro tradicional, enquanto o microsseguro mantém uma expressão reduzida, segundo dados do Banco de Moçambique.

Executive Digest com Lusa

O mercado segurador moçambicano cresceu 3,4% em 2025, mas continua fortemente concentrado na cidade de Maputo e no seguro tradicional, enquanto o microsseguro mantém uma expressão reduzida, segundo dados do Banco de Moçambique.

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De acordo com o Relatório de Inclusão Financeira 2025, consultado hoje pela Lusa, o volume de prémios brutos emitidos no segmento dos seguros aumentou de 23,9 mil milhões de meticais (331 milhões de euros) em 2024 para 24,7 mil milhões de meticais (343 milhões de euros) em 2025.

“Expansão do mercado segurador com forte concentração em Maputo e sinais de expansão provincial”, aponta o documento.

Segundo o relatório, o mercado registou um crescimento global de 3,4%, enquanto os microsseguros apresentaram uma redução na mesma magnitude.

Apesar da expansão do setor, o seguro tradicional representou 98,8% do mercado em 2025, enquanto o microsseguro ficou limitado a apenas 1,2%, refletindo a reduzida penetração deste produto junto das populações de menor rendimento.

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“O microsseguro continua com fraco desempenho (1,2%), limitando a inclusão”, assinala o Banco de Moçambique.

A distribuição geográfica das apólices continua igualmente muito concentrada, tendo a cidade de Maputo representado 75% das apólices comercializadas em 2025, acima dos 69,8% registados no ano anterior.

A província de Maputo concentrou 5,3% das apólices, seguindo-se Inhambane e Sofala, ambas com 5%, enquanto várias províncias do norte do país mantiveram níveis residuais de cobertura.

“O setor segurador cresceu 3,4%, mas permanece altamente concentrado no seguro tradicional (98,8%) e na cidade de Maputo”, refere o relatório, acrescentando que foram registados aumentos da atividade seguradora em províncias como Inhambane, Gaza e Tete.

Os dados mostram ainda uma evolução na distribuição por género, apontando que a adesão das mulheres ao seguro tradicional aumentou de 21% para 35% entre 2024 e 2025, enquanto a participação masculina recuou de 67% para 57%.

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No microsseguro, as mulheres passaram de 29% para 39% das apólices, embora os homens continuem a representar a maioria dos clientes, com 61%.

Segundo o banco central, verificou-se igualmente um reforço do ramo Vida, cuja participação aumentou tanto no mercado segurador como no microsseguro.

“O seguro tradicional torna-se mais equilibrado em termos de género, enquanto o microsseguro se torna mais concentrado no público masculino”, conclui o relatório.

A primeira-ministra moçambicana apontou em 17 de agosto que apenas 17% da população adulta moçambicana tem algum tipo de seguro, mercado que movimentou 24,7 mil milhões de meticais (343 milhões de euros) em 2025, sublinhando, contudo, o crescimento do setor.

Ao intervir, em Maputo, na abertura da Conferência Internacional da Organização das Seguradoras da África Oriental e Austral (OESAI), Maria Benvinda Levi referiu que, em 2025, o setor atingiu uma taxa de penetração de aproximadamente 1,6% em Moçambique, integrando 23 seguradoras, uma microsseguradora, uma resseguradora, oito entidades gestoras de fundos de pensões, 201 corretores e 37 agentes.

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“No primeiro semestre de 2026, a produção de seguros ultrapassou 12,2 mil milhões de meticais (166 milhões de euros), acima do período homólogo anterior”, afirmou, numa intervenção em que destacou os progressos registados pelo mercado segurador nacional, que revela uma estrutura “bastante diversificada”, mas também apontando os desafios relacionados com a inclusão financeira e a expansão da cobertura.

Para a governante, estes indicadores demonstram que o mercado segurador moçambicano continua numa trajetória de crescimento e profissionalização, reforçando a sua capacidade para proteger cidadãos, apoiar empresas e promover o investimento.

Contudo, apenas 17% dos adultos têm atualmente acesso a algum serviço ou produto de seguros: “Este indicador revela tanto o caminho a percorrer como o potencial de expansão do mercado”.

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