Acidente/Elevador: Relatório final do GPIAAF deve ser publicado até final de março de 2027

O relatório final ao acidente do ascensor da Glória, em Lisboa, que provocou 16 mortos, não ficará concluído em setembro, como previsto, devido à complexidade das peritagens técnicas, prevendo-se agora a publicação até “final do primeiro trimestre de 2027”.

Executive Digest com Lusa

O relatório final ao acidente do ascensor da Glória, em Lisboa, que provocou 16 mortos, não ficará concluído em setembro, como previsto, devido à complexidade das peritagens técnicas, prevendo-se agora a publicação até “final do primeiro trimestre de 2027”.

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O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) deveria publicar o relatório final um ano após o acidente do elevador da Glória, em 03 de setembro, que causou também duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

Numa nota informativa, a que a Lusa teve hoje acesso, o organismo explicou que, “apesar da maior diligência que tem sido seguida pela investigação e demais partes nela envolvidas”, não será “possível publicar o relatório final” até 03 de setembro, pelo que decidiu “dar conta do andamento da investigação e dos problemas de segurança” detetados.

Após o relatório preliminar, publicado em 20 de outubro de 2025, a equipa de investigação definiu o âmbito das peritagens com vista a determinar os fatores técnicos envolvidos no acidente.

Uma vez que decorre em paralelo um inquérito do Ministério Público, e “atendendo ao facto de alguns dos testes a realizar serem destrutivos e irrepetíveis, bem como à otimização de recursos e eficiência na despesa pública”, realizaram-se em conjunto “todas as peritagens, sem prejuízo da independência e fins distintos” de cada investigação.

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O GPIAAF contratou três entidades especializadas, para avaliar as “características, condição e comportamento do cabo e da sua fixação ao veículo” e “do freio dos veículos e modelação dinâmica do sistema”, e as “condições de aderência dos freios aos carris ‘Z’ e dos freios às rodas”.

“O facto de os ascensores da Glória e do Lavra, iguais com exceção do seu traçado, serem únicos no mundo, não existindo outros veículos similares, bem como a escassa documentação técnica disponível sobre os veículos, tem exigido um estudo aprofundado das suas características através de engenharia reversa”, salientou.

Relativamente ao cabo e às suas fixações, “foram e estão a ser feitos diversos ensaios físicos e químicos, determinando a condição, características metalográficas e metalúrgicas dos materiais, bem como a comparação do comportamento do cabo instalado aquando do acidente com os tipos de cabo efetivamente previstos nas especificações originais” da Carris, a empresa municipal de transportes.

“No que respeita aos sistemas de freio das cabinas, foram e estão ainda a ser realizados diversos testes funcionais e medição de parâmetros no veículo” parcialmente destruído no acidente e no que teve danos menores, “com vista a determinar a capacidade de frenagem em função das diversas variáveis possíveis quanto a afinações, coeficientes de aderência e outros parâmetros”, revela-se na nota.

Os ascensores do Lavra, que se encontram íntegros, “têm sido utilizados como modelos funcionais e laboratório para permitir o estudo dos seus sistemas e comparação com os veículos acidentados”, esclareceu o GPIAAF.

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A Carris, ao longo do processo, “tem demonstrado toda a cooperação requerida pela investigação”, disponibilizando “diligentemente as facilidades técnicas e logísticas” solicitadas, mas a pouca informação existente sobre os veículos tem determinado a “necessidade de ensaios adicionais para esclarecer alguns aspetos suscitados”.

Na articulação entre o GPIAAF e o Ministério Público, foi estendido o âmbito do estudo do sistema de freio, incluindo parâmetros geométricos da via, e adicionada “uma peritagem por uma quarta entidade especializada para o estudo de aspetos relevantes do circuito elétrico do sistema dos ascensores”.

As peritagens, nota-se, “têm interdependências, não podendo decorrer em paralelo mas principalmente em sequência”, e seguem “um método científico validado pelas entidades do setor académico intervenientes”.

“Paralelamente às peritagens dos sistemas técnicos, a investigação tem procedido também ao aprofundamento da análise dos fatores imateriais pertinentes”, como “fatores humanos e organizacionais envolvidos no acidente, procedimentos e práticas de manutenção” e “enquadramento legal da operação, entre outros aspetos”, avançou o GPIAAP.

Nesse sentido, “salvo algum constrangimento inesperado, até final de novembro serão concluídos os ensaios e peritagens técnicas”, procedendo-se depois à sua análise e elaboração do esboço do relatório final.

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Após a audição das entidades envolvidas, o GPIAAF estimou que o relatório final da investigação “possa ser publicado próximo do final do primeiro trimestre de 2027”.

O relatório preliminar de outubro apontou falhas e omissões na manutenção do ascensor da Glória e a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.

A oposição na Câmara de Lisboa tem criticado a falta de informação e respostas da autarquia sobre o descarrilamento, pedindo um esclarecimento cabal do ocorrido, enquanto o presidente do executivo, Carlos Moedas, considerou “bem-vinda” a investigação judicial em curso, depois da realização de buscas da Polícia Judiciária na sede da transportadora.

Em julho, a Carris esclareceu que familiares das vítimas do acidente comunicaram que “ainda não tinham na sua posse as certidões de óbito” e revelou existirem então três processos de indemnização concretizados.

LFS/JGS (SSM/MPE) // ROC

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