O Ministério do Comércio da China e outras autoridades competentes anunciaram, no dia 5, novas medidas em resposta a ações adotadas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC) e pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) contra entidades chinesas.
Um porta-voz do Ministério do Comércio afirmou que as medidas norte-americanas violaram, segundo Pequim, consensos alcançados pelos líderes dos dois países e prejudicaram os direitos e interesses legítimos da China. Nesse contexto, as autoridades chinesas consideraram necessárias as contramedidas anunciadas.
Pequim apelou simultaneamente a Washington para que retire as medidas restritivas, cesse ações que considera inadequadas e retome o caminho da resolução das divergências através do diálogo e da cooperação.
Segundo o Ministério do Comércio chinês, desde o encontro entre os presidentes dos dois países, realizado em Busan, na Coreia do Sul, em outubro do ano passado, a FCC continuou a adotar medidas restritivas contra a China, nomeadamente através de uma interpretação mais abrangente dos critérios relacionados com a segurança nacional.
Em julho, a FCC voltou a impor restrições à importação de determinados equipamentos chineses, incluindo equipamentos robóticos avançados e inversores de energia elétrica.
O DHS também incluiu mais de 40 entidades chinesas na chamada “Lista de Entidades da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado dos Uigures”. Pequim rejeita as acusações que fundamentaram essas medidas e considera que estas representam uma forma de pressão económica sobre empresas chinesas.
As autoridades chinesas reiteraram que defendem o respeito mútuo, a coexistência pacífica e a cooperação de benefício mútuo como princípios para o desenvolvimento das relações com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, afirmaram que as sucessivas medidas restritivas adotadas por Washington justificam, na perspetiva de Pequim, a aplicação de contramedidas.
Apesar das divergências comerciais e económicas, a China destaca a dimensão das relações económicas entre os dois países. Segundo os dados apresentados por Pequim, o comércio bilateral de mercadorias ultrapassou os 2 biliões de dólares no primeiro semestre de 2026, enquanto o comércio registou um crescimento homólogo de 13,7% no segundo trimestre.
Sean Stein, presidente do Conselho Empresarial EUA-China, rejeitou igualmente a ideia de que as empresas norte-americanas estejam a abandonar o mercado chinês ou que não pretendam continuar a fazer negócios com a China.
Para Pequim, os dados económicos demonstram a importância da cooperação entre as duas maiores economias do mundo. A China defende que o diálogo e a cooperação permitem gerar benefícios para ambos os países, enquanto o confronto e a adoção de medidas restritivas tendem a prejudicar os interesses das duas partes.
A China considera, por isso, que a manutenção de uma relação bilateral construtiva e de estabilidade estratégica constitui uma responsabilidade partilhada pelos dois países e corresponde também às expectativas da comunidade internacional.














