O empreiteiro João dos Santos Carvalho, proprietário da Construbarcelos, realizou obras não apenas no monte do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, mas também na residência de Álvaro Pires, diretor financeiro da Polícia Judiciária (PJ), segundo revelou esta quinta-feira uma investigação conjunta da ‘TVI’, ‘CNN Portugal’ e ‘Nascer do Sol’.
De acordo com a investigação, no final do ano passado o empreiteiro esteve a realizar trabalhos na casa de Álvaro Pires, na Charneca da Caparica. A presença de carrinhas da Construbarcelos no local foi confirmada por vizinhos ouvidos pelos três órgãos de comunicação social.
O nome de Álvaro Pires já tinha surgido associado ao caso do atrelado apreendido na operação Pacoba, utilizado para transformar droga e posteriormente entregue à Construbarcelos. Segundo a investigação, terá sido o diretor financeiro da PJ quem sugeriu, numa conversa informal, a solução para resolver o problema de armazenamento do equipamento.
Na altura, a Marinha pretendia que o atrelado fosse retirado dos seus terrenos, no Seixal, devido ao risco de incêndio provocado pelos produtos químicos existentes no interior. A Polícia Judiciária concluiu que não tinha capacidade para suportar o orçamento de cerca de 144 mil euros necessário para o remover para as suas instalações.
Segundo os próprios intervenientes citados na investigação, foi nesse contexto que João dos Santos Carvalho se disponibilizou para ficar com o atrelado, tendo a decisão final sido autorizada por Luís Neves, então diretor nacional da PJ.
A investigação refere ainda que a Construbarcelos executou diversas obras em instalações da Polícia Judiciária. Apesar de algumas dessas intervenções terem sido alvo de críticas por alegadas deficiências na execução, Luís Neves terá continuado a defender o empreiteiro, mesmo depois de ter sido alertado para os problemas detetados.
As novas revelações surgem numa semana particularmente difícil para o atual ministro da Administração Interna. O Tribunal de Contas confirmou que Luís Neves será julgado num processo relacionado com alegadas infrações financeiras praticadas quando liderava a Polícia Judiciária. Entretanto, a ministra da Justiça determinou também a realização de uma auditoria da Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça e de uma avaliação interna à atuação da liderança da PJ na sequência das notícias conhecidas nas últimas semanas.


















