Mais de 150 mortes foram notificadas no Reino Unido entre pessoas que utilizavam medicamentos para emagrecer, segundo os dados mais recentes da Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA), a autoridade britânica do medicamento.
No total, o sistema de farmacovigilância recebeu cerca de 150 mil notificações de efeitos adversos relacionados com estes tratamentos, embora as autoridades sublinhem que os casos não provam que os medicamentos tenham sido a causa dos óbitos.
Os números abrangem os três principais fármacos deste grupo atualmente disponíveis no Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS): liraglutido (Saxenda), semaglutido (Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro).
A tirzepatida, comercializada como Mounjaro, concentra a maior parte das notificações, com mais de 100 mil relatos de efeitos adversos e 98 mortes notificadas. Já o semaglutido, vendido como Wegovy, soma quase 50 mil notificações e 37 mortes, enquanto o liraglutido, conhecido como Saxenda, regista cerca de quatro mil notificações e também 37 mortes.
Segundo os dados do sistema Yellow Card, utilizado por doentes e profissionais de saúde para comunicar suspeitas de reações adversas, os problemas mais frequentemente reportados são perturbações gastrointestinais, como náuseas, vómitos, diarreia, obstipação e refluxo. Foram também registadas notificações relacionadas com doenças do sistema nervoso, perturbações psiquiátricas, problemas oculares e doenças cardiovasculares.
A MHRA salienta, contudo, que estas notificações não estabelecem uma relação direta entre os medicamentos e os óbitos. Em muitos casos, as mortes podem estar relacionadas com doenças pré-existentes, patologias ainda não diagnosticadas ou outros fatores independentes do tratamento. Além disso, um mesmo doente pode originar várias notificações, pelo que os dados não correspondem ao número de pessoas afetadas.
A autoridade britânica lembra ainda que foram prescritas milhões de doses destes medicamentos no Reino Unido e que o aumento das notificações também reflete a crescente utilização destes tratamentos e uma maior sensibilização para a importância de comunicar possíveis efeitos secundários.
“Com base na evidência atualmente disponível, os benefícios dos agonistas do recetor GLP-1 continuam a superar os riscos potenciais quando utilizados de acordo com as indicações aprovadas”, refere a MHRA.
Também os fabricantes responderam aos dados divulgados. A Novo Nordisk, responsável pelo Wegovy e pelo Saxenda, afirmou que a segurança dos doentes é uma prioridade e recordou que todos os medicamentos podem provocar efeitos secundários, devendo ser utilizados sob acompanhamento médico.
Já a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, indicou que monitoriza continuamente a segurança dos seus medicamentos e apelou aos doentes para que comuniquem quaisquer reações adversas através do sistema Yellow Card e consultem um profissional de saúde sempre que surjam sintomas preocupantes.

















