A Ucrânia está a trabalhar com empresas europeias no desenvolvimento de um novo sistema de defesa antimíssil capaz de intercetar mísseis balísticos russos por um custo significativamente inferior ao do Patriot, atualmente considerado uma das principais armas de defesa aérea do Ocidente, salientou o ‘Kyiv Post’.
O projeto, denominado Freyja, reúne 10 governos europeus e 12 empresas do setor da defesa, entre as quais a italiana Leonardo, a francesa Thales, a sueca Saab e o consórcio Eurosam. A empresa ucraniana Fire Point é responsável pelo desenvolvimento do míssil intercetor FP7.X, enquanto os parceiros europeus fornecem radares, sistemas de guiamento e capacidades de comando e controlo.
Segundo explicou à ‘Reuters’ a diretora-executiva da Fire Point, Iryna Terekh, a empresa já alcançou acordos com 13 parceiros industriais e entrou na fase considerada mais complexa do programa: a integração de todos os componentes num único sistema.
O objetivo é conseguir a primeira interceção bem-sucedida de um míssil balístico até meados de 2027.
Uma alternativa mais barata ao Patriot
A Fire Point pretende fabricar cada míssil intercetor por menos de um milhão de euros, um valor muito inferior ao custo estimado dos mísseis utilizados pelo sistema Patriot, fabricado nos Estados Unidos.
A necessidade de encontrar alternativas ganhou força devido à escassez de mísseis Patriot disponíveis para a Ucrânia, que depende destes sistemas para travar ataques balísticos russos.
“Estamos a tentar condensar um programa que normalmente demora entre 20 e 30 anos em apenas alguns anos”, afirmou Iryna Terekh à ‘Reuters’.
Míssil de ataque pode entrar em combate este outono
Além da versão destinada à defesa antimíssil, a Fire Point desenvolveu uma variante do FP7 concebida para atacar alvos terrestres.
Segundo a responsável, o míssil já realizou cerca de 15 lançamentos de teste e encontra-se na fase final de certificação pelo Ministério da Defesa ucraniano.
O processo deverá ficar concluído dentro de duas a quatro semanas e, se o calendário for cumprido, o primeiro destacamento operacional poderá ocorrer no início do outono.
O projeto Freyja foi lançado oficialmente em Paris no mês passado e aposta numa arquitetura aberta, permitindo integrar radares, sensores, sistemas de guiamento e outros componentes desenvolvidos por diferentes fabricantes europeus. O objetivo é criar uma nova geração de sistemas antimíssil mais acessíveis e capazes de responder à crescente ameaça dos ataques balísticos russos.



















