“Safáris humanos”: a estratégia que a Ucrânia acusa a Rússia de usar para caçar civis com drones

Vídeo de um vendedor de legumes perseguido por um drone russo, divulgado esta semana pelas autoridades ucranianas, poderá representar apenas uma pequena parte de uma estratégia muito mais vasta

Francisco Laranjeira

O vídeo de um vendedor de legumes perseguido por um drone russo, divulgado esta semana pelas autoridades ucranianas, poderá representar apenas uma pequena parte de uma estratégia muito mais vasta. A Ucrânia acusa a Rússia de utilizar drones de forma deliberada para perseguir e atacar civis na região de Kherson, uma prática que descreve como “safáris humanos”.

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Segundo a ‘Newsweek’, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a denunciar esta alegada estratégia depois de um drone russo ter perseguido um homem de 52 anos durante cerca de um minuto antes de explodir junto dele, provocando-lhe ferimentos.

O caso, que ficou registado em vídeo e foi divulgado pela Polícia Nacional da Ucrânia, reacendeu acusações que Kiev faz há vários meses. Em maio, o próprio Zelensky afirmou que a Rússia tinha “essencialmente organizado uma caça a civis, semelhante a um safári”, na região de Kherson.

Agora, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, acusa Moscovo de seguir uma estratégia “deliberada e sistemática” de ataques contra a população civil recorrendo a drones FPV, habitualmente utilizados para atingir alvos militares próximos da linha da frente.

Também o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um centro de análise sediado nos Estados Unidos, considera que a utilização destes drones contra civis se tornou uma “ferramenta deliberada de guerra” na região de Kherson.

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Segundo as autoridades ucranianas, estes ataques distinguem-se dos bombardeamentos convencionais por permitirem aos operadores identificar visualmente as vítimas antes de lançar o ataque. No caso do vendedor de legumes, o governador regional de Kherson, Oleksandr Prokudin, afirmou que o drone sobrevoou repetidamente o homem antes de atacar.

Kherson tornou-se um dos principais cenários desta nova forma de guerra desde que a margem ocidental do rio Dniepre regressou ao controlo ucraniano, no final de 2022. A proximidade das posições russas permite a utilização frequente de drones FPV, capazes de atingir pessoas e veículos a curta distância.

As acusações surgem numa altura em que a Rússia continua também a intensificar os ataques de longo alcance. Na madrugada de quarta-feira, segundo Kiev, forças russas lançaram dezenas de mísseis balísticos, mísseis hipersónicos e mais de uma centena de drones contra Kiev e outras regiões da Ucrânia, provocando pelo menos 17 mortos.

A Rússia rejeita categoricamente as acusações de visar deliberadamente civis e afirma que os seus ataques são dirigidos exclusivamente contra objetivos militares e infraestruturas utilizadas pelas forças ucranianas.

Para Kiev, porém, os episódios registados em Kherson deixam de poder ser vistos como incidentes isolados. As autoridades ucranianas defendem que fazem parte de uma campanha organizada para espalhar o medo entre a população que continua a viver perto da linha da frente, recorrendo a drones não apenas como arma de combate, mas também como instrumento de intimidação psicológica.

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