Há automóveis esquecidos durante meses. Outros acabam abandonados durante anos. Mas poucos casos são tão insólitos como o de um Honda Civic Coupé que permanece estacionado no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, há quase seis anos, acumulando uma dívida superior a 30 mil euros sem que ninguém consiga sequer identificar o proprietário.
Coberto por uma espessa camada de pó – pode ver o vídeo aqui -, com um bloqueador colocado numa das rodas e sem sair do mesmo lugar desde 2020, o automóvel tornou-se uma pequena atração para passageiros e funcionários do aeroporto.
O mais surpreendente é que as autoridades brasileiras continuam sem o poder remover.
O problema? Ninguém sabe de quem é o carro
Segundo a imprensa brasileira, o Honda já não tem matrícula nem qualquer outro elemento que permita identificar oficialmente o último proprietário.
No Brasil, a remoção definitiva de um veículo abandonado exige que seja conhecido o respetivo titular.
Sem essa informação, o automóvel permanece preso num impasse burocrático que já dura há mais de 2.000 dias.
A única certeza é a data em que entrou no parque de estacionamento. Desde então, nunca mais saiu.
A dívida continua a aumentar
Durante quase seis anos, o carro foi acumulando sucessivas taxas de estacionamento.
Em julho, a dívida já ultrapassava os 30.400 euros, um valor que continua a aumentar e que dificilmente será alguma vez pago.
No interior do automóvel foi encontrada a chave na ignição, um detalhe que alimenta ainda mais o mistério.
Veio do estrangeiro
As autoridades acreditam que o Honda Civic não foi comprado no Brasil.
No para-brisas permanece um autocolante de seguro emitido em Belize, país da América Central.
Entretanto, uma investigação de uma estação de televisão brasileira concluiu que o automóvel terá chegado de navio proveniente de Nova Iorque e feito escala na Guatemala antes de aparecer no Rio de Janeiro.
Ao todo, terá percorrido mais de 15 mil quilómetros antes de ficar definitivamente parado no aeroporto.
As teorias multiplicam-se
Sem um proprietário identificado, surgiram várias hipóteses para explicar o abandono.
Uma delas aponta para uma eventual utilização do automóvel em atividades criminosas, seguida da fuga do condutor.
Outra admite um cenário muito mais simples: o proprietário terá estacionado o carro antes de viajar e morreu ou ficou impossibilitado de regressar.
Até ao momento, porém, nenhuma destas teorias foi confirmada.
Enquanto isso, o Honda Civic continua exatamente onde foi deixado há quase seis anos, transformando-se num dos mais invulgares mistérios automóveis do Brasil.














