Israel lança grande operação em campo de refugiados palestiniano e invade centro da ONU

Operação levou à detenção de várias pessoas e provocou pelo menos dois feridos, de acordo com o Crescente Vermelho Palestiniano

Francisco Laranjeira

O exército israelita lançou, na madrugada desta quarta-feira, uma operação em larga escala no campo de refugiados de Qalandia, a norte de Jerusalém Oriental, numa ação que incluiu a entrada num centro de formação profissional da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinianos (UNRWA).

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Segundo o jornal espanhol ‘El Confidencial’, que cita a agência ‘EFE’, a operação levou à detenção de várias pessoas e provocou pelo menos dois feridos, de acordo com o Crescente Vermelho Palestiniano.

Fontes da UNRWA confirmaram à ‘EFE’ que militares israelitas entraram no Centro de Formação de Qalandia, uma instituição que oferece ensino profissional gratuito a cerca de 330 jovens da Cisjordânia, muitos provenientes de campos de refugiados e de famílias vulneráveis.

De acordo com o Governo de Jerusalém, integrado na Autoridade Palestiniana, forças israelitas foram mobilizadas para vários bairros do campo com veículos militares, equipamento e mapas.

A agência oficial palestiniana ‘WAFA’ afirmou que as tropas interromperam as orações da madrugada, realizaram buscas em habitações, obrigaram algumas famílias a abandonar as suas casas e detiveram vários jovens. A mesma fonte refere ainda que um dos objetivos da operação foi a sede do Comité Popular, órgão administrativo do campo.

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Contactado pela ‘EFE’, o exército israelita confirmou a operação, afirmando que as suas forças estão a atuar em Qalandia para “prevenir o terrorismo e deter indivíduos procurados”. Israel classificou a intervenção como uma “atividade operacional seletiva e previamente planeada”, mas não revelou os alegados crimes atribuídos aos suspeitos nem eventuais ligações a grupos armados.

A incursão acontece num contexto de crescente pressão sobre a UNRWA na Cisjordânia. Segundo Roland Friedrich, diretor da agência para este território, a organização enfrenta uma “deterioração sistemática” das suas operações nos últimos dois anos, recordando o encerramento da sede da UNRWA em Jerusalém Oriental no início deste ano.

Na passada segunda-feira, o vice-presidente da Câmara de Jerusalém, Arie King, voltou a defender publicamente a expulsão da UNRWA da cidade, afirmando que a autarquia continua empenhada naquilo que classificou como a “recuperação de terrenos” em Jerusalém Oriental.

Entretanto, moradores de Qalandia manifestaram receio de que a operação provoque mais vítimas. “O que mais me preocupa é que as crianças sejam afetadas, como já aconteceu noutras ocasiões”, afirmou à ‘EFE’ Fátima, residente no campo de refugiados.

A operação decorre numa altura em que continuam elevadas as tensões na Cisjordânia, onde as forças israelitas têm intensificado ações contra grupos armados, enquanto organizações palestinianas denunciam o agravamento das condições de vida nos campos de refugiados.

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