O Presidente da Argentina defendeu que a aliança com o Governo dos Estados Unidos é a “chave” para “recuperar” as Ilhas Malvinas britânicas e culpou a vice-presidente, Victoria Villarruel, pela “tensão” com Londres sobre o assunto.
“Os Estados Unidos mudaram a sua visão estratégica do mundo, olham para isto de uma perspetiva política e é necessário um aliado fiável na passagem do Atlântico ao Pacífico. A Argentina está a cumprir todas essas condições e essa é a chave que nos vai permitir recuperar as Malvinas”, afirmou Javier Milei numa entrevista à Rádio Mitre publicada na segunda-feira.
Sobre a reivindicação soberana da Argentina, que em 1833 perdeu o controlo do arquipélago atlântico, quando passou para mãos britânicas, Milei disse que “a causa das Malvinas não é negociável” e defendeu o papel do seu governo. “Desde o regresso da democracia, nós somos os que mais fizemos para o objetivo final, que é que as Ilhas Malvinas, Geórgias, Sandwich do Sul e todo o espaço marítimo circundante voltem para a Argentina”.
Milei realçou que, “pela primeira vez, a ONU obriga a Inglaterra a sentar-se para dialogar”, uma declaração que contrasta com o facto de que até à data, e durante décadas, aquela organização internacional apenas ter emitido resoluções não vinculativas a favor da Argentina, sem que tenha havido negociações oficiais entre Buenos Aires e Londres sobre o assunto.
O presidente da Argentina acrescentou que “na própria Inglaterra as águas estão divididas”. “Existem partes do espetro político [britânico] que consideram que nos têm de devolver as ilhas porque são nossas”, alegou.
Na mesma entrevista, Milei criticou a sua vice-presidente, que na véspera das meias-finais do Mundial 2026 disse através das redes sociais que a Argentina iria confrontar-se com os “piratas usurpadores” e “invasores”, e que esse encontro se assemelhava ao conflito das Malvinas.
“Essa situação gerou alguma tensão em Londres e houve alguma comunicação com o país”, reconheceu Milei, irritado com a intervenção de Villarruel sobre o assunto, dias depois de a vice-presidente ter insinuado que o Presidente tem problemas de saúde mental.
Sobre a sua parceira nas eleições de 2023, Milei afirma agora que “é alguém irrelevante dentro do Governo e toda a gente sabe que é uma oposicionista”.
O chefe de Estado argentino também reconheceu estar a par do projeto de produção de hidrocarbonetos Sea Lion numa zona marítima reclamada pela Argentina e próxima das Malvinas, que está a ser desenvolvido por empresas britânicas e israelitas: “Fizemos as reclamações pertinentes e está a ser discutido a nível diplomático”.
“Somos aliados dos Estados Unidos e de Israel, mas isso é uma empresa privada. Num país sério não se interfere no setor privado”, argumentou.





