Há muito que Boris Epshteyn deixou de ser apenas um advogado ligado a Donald Trump. O jurista, nascido em Moscovo e criado nos Estados Unidos, é hoje um dos principais estrategas do presidente americano, coordenando a sua defesa judicial e influenciando decisões que vão muito além dos tribunais. O ‘El Español’ descreve-o como o homem que “dá as cartas”, enquanto outros assinam os documentos e assumem as consequências quando a estratégia falha.
No círculo presidencial, Trump refere-se a Epshteyn como o seu “psiquiatra”.
A alcunha não resulta de qualquer formação em saúde mental, mas da proximidade entre ambos. Falam com frequência e Epshteyn tornou-se presença habitual na Casa Branca, chegando a participar em reuniões sem que muitos dos presentes soubessem exatamente qual era o seu papel.
Segundo o ‘El Español’, o seu trabalho passa sobretudo por ouvir as frustrações do presidente, reforçar as suas convicções e transformar os seus impulsos em estratégias políticas e jurídicas. Trump não procura nele um contraditório, mas alguém que lhe diga que ainda é possível vencer.
De comentador televisivo ao núcleo duro de Trump
Epshteyn nasceu em Moscovo, em 1982, e chegou aos Estados Unidos com 11 anos, integrado numa família judia que obteve estatuto de refugiada.
Licenciou-se em Direito na Universidade de Georgetown, trabalhou durante algum tempo no setor financeiro e acabou por ganhar notoriedade como comentador político na televisão, onde se destacou pela defesa intransigente de Trump durante a campanha presidencial de 2016. Essa exposição acabou por abrir-lhe as portas do círculo mais próximo do então candidato republicano.
A ligação tornou-se ainda mais forte após as eleições de 2020, quando muitos aliados se afastaram de Trump na sequência do ataque ao Capitólio. Epshteyn permaneceu ao seu lado e participou na estratégia jurídica para contestar os resultados eleitorais, chegando a ser acusado no Arizona por alegado envolvimento no esquema dos chamados “falsos eleitores”. Declarou-se inocente e o processo continua a seguir os seus trâmites.
Influência que vai muito além dos tribunais
Apesar de quase não comparecer formalmente em tribunal, a influência de Epshteyn é vasta.
É apontado como uma das pessoas que escolhem os advogados que trabalham com Trump, participa em decisões relacionadas com nomeações para cargos ligados ao Departamento de Justiça e exerce influência sobre a estratégia política e judicial do presidente. Também preside à Trump Media, empresa responsável pela rede social Truth Social.
O seu poder já provocou atritos dentro do universo republicano. O ‘El Español’ refere que Elon Musk questionou a sua influência em várias nomeações e que ambos terão protagonizado uma discussão acesa em Mar-a-Lago, após o empresário o acusar de fazer fugas de informação para a imprensa.
Acusações, investigações… e uma influência intacta
Nos últimos meses, Epshteyn foi alvo de uma investigação interna por alegadamente ter tentado beneficiar financeiramente da proximidade a Trump. Negou todas as acusações e o presidente manteve-lhe a confiança.
Mais recentemente, voltou ao centro das atenções depois de uma juíza federal concluir que vários advogados ligados a Trump utilizaram os tribunais para conferir uma aparência de legitimidade a benefícios políticos e pessoais. Embora tenha participado nas negociações que conduziram ao acordo em causa, o seu nome não figurava nos documentos oficiais, escapando às sanções impostas aos juristas que os assinaram.
É precisamente esse padrão que, segundo o ‘El Español’, define Boris Epshteyn: um estratega que raramente aparece na linha da frente, mas cuja influência continua a crescer graças à confiança absoluta de Donald Trump e à capacidade de permanecer ao seu lado quando quase todos os outros acabam por sair de cena.



















