Portugal poderá voltar a sentir os efeitos da guerra comercial de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos prepara uma nova vaga de tarifas sobre cerca de 60 países que poderá voltar a atingir a União Europeia, com possíveis reflexos indiretos nas exportações portuguesas, avança o ‘Financial Times’.
A tarifa global temporária de 10% aplicada às importações para os Estados Unidos expira na próxima sexta-feira. Para a substituir, Washington está a estudar um novo pacote de taxas que, numa primeira fase, deverá variar entre 10% e 12,5%, embora estejam também em curso investigações que poderão justificar a aplicação de tarifas ainda mais elevadas.
A União Europeia integra a lista de economias que poderão ser abrangidas, juntamente com países como China, Japão, Índia, Coreia do Sul, México, Taiwan, Vietname, Malásia, Indonésia, Suíça e Noruega.
Caso Bruxelas venha a ser incluída nas novas medidas, Portugal poderá sentir efeitos indiretos, tanto nas exportações para o mercado americano como no desempenho da economia europeia, da qual depende uma parte significativa do comércio externo português.
Brasil e Canadá já foram alvo da ofensiva comercial
A escalada tarifária ganhou força nos últimos dias. Na semana passada, Donald Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre vários produtos brasileiros, embora tenha excluído bens como carne, café, petróleo, aeronaves e sumo de laranja. Cinco dias depois, impôs uma taxa de 50% sobre determinados produtos canadianos.
As novas medidas surgem depois de o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter anulado, em fevereiro, as chamadas tarifas recíprocas anunciadas em abril de 2025. Em resposta, a Casa Branca aplicou uma tarifa global temporária de 10%, que termina esta sexta-feira.
Há quem defenda uma abordagem mais prudente
O ‘Financial Times’ refere que vários responsáveis da equipa de Donald Trump têm defendido uma estratégia mais cautelosa, procurando preservar os acordos comerciais alcançados ao longo do último ano e evitar um agravamento das tensões com os principais parceiros económicos dos Estados Unidos.
A incerteza surge numa altura em que o conflito no Médio Oriente continua a pressionar os mercados energéticos e a aumentar as preocupações com o custo de vida nos EUA.
Uma sondagem realizada pela Focaldata para o ‘Financial Times’ concluiu que mais de dois terços dos eleitores desaprovam a forma como Donald Trump tem gerido o aumento do custo de vida.
“A principal influência sobre as tarifas será o ambiente político e as preocupações com o poder de compra, que limitam a capacidade de Trump para ir mais longe”, afirmou ao ‘Financial Times’ Michael Smart, diretor-geral da consultora Rock Creek Global Advisors.














