Nova infraestrutura de regadio entra em funcionamento: Governo inaugura hoje projeto estratégico para o Alentejo

Campo Maior vive esta terça-feira um dos momentos mais relevantes para o futuro do setor agrícola do concelho com a inauguração da rede de rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora (AHX), uma infraestrutura considerada estratégica para o desenvolvimento do Norte Alentejano.

Pedro Zagacho Gonçalves

Campo Maior vive esta terça-feira um dos momentos mais relevantes para o futuro do setor agrícola do concelho com a inauguração da rede de rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora (AHX), uma infraestrutura considerada estratégica para o desenvolvimento do Norte Alentejano. A cerimónia conta com a presença do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e assinala a entrada em funcionamento de uma obra que representa um investimento superior a 18,9 milhões de euros e que permitirá levar água a uma área agrícola de 1.560 hectares.

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O empreendimento constitui uma das principais apostas na modernização do regadio da região e pretende aumentar a competitividade das explorações agrícolas, criar melhores condições para a produção, estimular o investimento privado e contribuir para combater o despovoamento de um território marcado pelos desafios demográficos. Inserido na bacia hidrográfica do rio Guadiana, o Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora é alimentado pela barragem do Abrilongo e foi concebido para assegurar uma distribuição de água eficiente, sustentável e adaptada às necessidades da agricultura moderna.

A autarquia de Campo Maior descreve o Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora como um verdadeiro projeto estruturante para a região. A infraestrutura beneficia diretamente uma área agrícola de 1.560 hectares e foi concebida para reforçar a capacidade produtiva do concelho através de um sistema moderno de regadio, considerado essencial para aumentar o valor acrescentado das explorações agrícolas.

Além do impacto direto na agricultura, o projeto pretende dinamizar a economia local, incentivar novos investimentos, criar condições para a instalação de empresas ligadas ao setor agroalimentar e contribuir para a fixação de população num território particularmente afetado pelo envelhecimento e pela perda de habitantes.

A nova rede de rega integra cerca de 44 quilómetros de condutas, 70 hidrantes, 106 bocas de rega e uma estação elevatória, permitindo distribuir água sob pressão de forma eficiente e com um forte aproveitamento da gravidade, reduzindo os consumos energéticos sempre que possível.

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O sistema foi desenvolvido para responder às atuais exigências do setor agrícola, proporcionando um abastecimento mais eficaz e uma gestão mais racional dos recursos hídricos, fator considerado cada vez mais importante perante os efeitos das alterações climáticas e da maior pressão sobre a disponibilidade de água.

Projeto foi adaptado para proteger os valores ambientais
O Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora sofreu alterações durante o seu desenvolvimento na sequência da Declaração de Impacte Ambiental Favorável Condicionada emitida em 19 de maio de 2022.

A reformulação do projeto procurou compatibilizar as necessidades do regadio com a proteção dos valores ambientais existentes na área de intervenção, tendo igualmente sido realizadas consultas às entidades do Reino de Espanha, dada a proximidade da zona fronteiriça e o enquadramento hidrográfico do empreendimento.

As alterações introduzidas permitiram dar continuidade ao investimento conciliando o desenvolvimento agrícola com as exigências ambientais definidas para a execução da obra.

Obra desenvolvida em três fases
A concretização do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora foi planeada em três fases distintas.

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A primeira correspondeu à construção da barragem do Abrilongo, concluída no ano 2000, criando a reserva de água necessária para abastecer todo o sistema.

A segunda fase, agora concluída e inaugurada, incidiu na construção da rede de rega propriamente dita. A empreitada foi adjudicada em 27 de agosto de 2024 e consignada em 14 de janeiro de 2025, permitindo executar toda a infraestrutura de distribuição de água que entra agora em funcionamento.

A terceira fase prevê a construção da estação elevatória destinada a reforçar a eficiência energética e a segurança do sistema, bem como a implementação das medidas de compensação ambiental, incluindo a compensação de quercíneas e as restantes ações previstas na Declaração de Impacte Ambiental.

Investimento ultrapassa os 18,9 milhões e financiamento global ascende a 25 milhões de euros
A construção da rede de rega representou um investimento superior a 18,9 milhões de euros, financiado através do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR2020).

A empreitada foi promovida pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), entidade responsável pela concretização deste investimento público.

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No conjunto das diferentes fases previstas para o Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora, o financiamento global ascende aos 25 milhões de euros, verba que permitirá concluir todas as componentes da infraestrutura hidroagrícola, incluindo os trabalhos ainda previstos para a terceira fase.

Ministro da Agricultura preside à cerimónia
A inauguração arranca durante a manhã no Centro Cultural de Campo Maior, onde decorre a receção dos convidados.

O programa contempla posteriormente uma visita ao perímetro de rega, seguindo-se uma deslocação ao primeiro hidrante da rede, localizado na Herdade dos Azeiteiros, onde será efetuada a abertura simbólica da água e apresentada a componente ambiental do projeto.

A cerimónia prossegue na barragem do Abrilongo, no início da rede de rega, onde estão previstas intervenções do diretor-geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, José Eduardo Reis, do presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, e do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes.

O programa termina com o descerramento da placa comemorativa da obra e com a bênção da infraestrutura, assinalando oficialmente a entrada em funcionamento de um investimento que pretende marcar uma nova etapa para o regadio, a agricultura e o desenvolvimento económico de Campo Maior e do Norte Alentejano.

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