“O meu trabalho está feito”: Starmer discursa pela última vez como primeiro-ministro do Reino Unido antes de apresentar demissão ao rei Carlos III

Starmer apresentará formalmente a demissão antes de Andy Burnham assumir o cargo de novo primeiro-ministro do Reino Unido.

Pedro Zagacho Gonçalves

Keir Starmer despediu-se esta segunda-feira do cargo de primeiro-ministro britânico com um discurso marcado pelo balanço do seu mandato, pelo agradecimento aos cidadãos e por um apelo à união nacional perante os desafios internacionais. Pouco antes de seguir para o Palácio de Buckingham para apresentar formalmente a demissão ao rei Carlos III, o líder trabalhista afirmou que deixa funções convicto de que o Reino Unido está hoje “mais forte e mais justo” do que quando assumiu o Governo, há dois anos, sublinhando que considera concluída a missão que se propôs cumprir. “O meu trabalho está feito”, declarou.

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Na intervenção, Starmer recordou a expressiva vitória eleitoral que levou o Partido Trabalhista ao poder e afirmou que liderar o Governo foi “o privilégio da minha vida”. Defendeu que o Executivo deixa um legado de melhoria em várias áreas, apontando para uma economia mais robusta, serviços públicos em recuperação, menos crianças em situação de pobreza, uma redução da imigração e uma reputação internacional do Reino Unido “consideravelmente reforçada”. Apesar desse balanço político, afirmou que aquilo que mais levará consigo da experiência em Downing Street foi a oportunidade de assistir, na primeira fila, “às maiores qualidades deste país em ação”, elogiando o trabalho diário de militares, profissionais do Serviço Nacional de Saúde (NHS) e cidadãos que servem as suas comunidades.

O primeiro-ministro cessante aproveitou ainda a despedida para deixar uma mensagem de alerta sobre o atual contexto geopolítico, referindo que o Reino Unido enfrenta adversários externos que procurarão explorar as divisões internas para enfraquecer os valores democráticos do país. Fazendo referência ao conflito na Ucrânia, advertiu que “os nossos inimigos não vão parar por nada no esforço de nos dividir” e sustentou que, precisamente por esse motivo, é essencial recordar “a grandiosidade do Reino Unido”. Para Starmer, é o caráter da sociedade britânica que permite acreditar que o país pode continuar a melhorar e que pessoas com diferentes origens e convicções podem permanecer unidas sob a mesma bandeira, desde que não cedam à polarização.

Na reta final da intervenção, Starmer desejou “todo o sucesso” ao seu sucessor, Burnham, garantindo que este contará com o seu “total apoio”. Deixou ainda palavras de agradecimento à família, ao Partido Trabalhista, aos militantes e apoiantes que acompanharam o seu Governo, terminando com uma mensagem dirigida aos britânicos: agradeceu a oportunidade de servir o país e afirmou sentir-se “orgulhoso de tudo o que alcançámos” durante o período em que liderou o Executivo. Minutos depois do discurso, Starmer partiu para o Palácio de Buckingham, onde apresentou formalmente a demissão ao rei Carlos III, encerrando oficialmente o seu mandato como primeiro-ministro britânico.

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