Geopolítica continua a pressionar setor europeu dos bens industriais

Estudo da Oliver Wyman revela que apenas 39% dos líderes do setor esperam crescimento em 2026, num tempo marcado pela instabilidade geopolítica e pela desaceleração do mercado

Executive Digest

As incertezas geopolíticas continuam a limitar as perspetivas de crescimento do setor europeu dos bens industriais. De acordo com o relatório The State of the Industrial Goods Sector, da Oliver Wyman, apenas 39% dos líderes empresariais esperam um crescimento das receitas em 2026, enquanto 10% antecipam estagnação ou perdas. A confiança dos executivos também diminuiu, com a avaliação do ambiente empresarial a descer de 6,5 para 5,4 pontos.

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O estudo, que inquiriu 140 executivos de empresas líderes e analisou 240 empresas europeias cotadas em bolsa, mostra que o setor continua a perder competitividade face aos mercados internacionais. Em 2024, o valor de mercado das empresas europeias cresceu apenas 4%, abaixo dos 16% registados nos Estados Unidos e dos 17% alcançados pelas empresas chinesas. Também o crescimento das receitas ficou limitado a 2%, refletindo um desempenho inferior ao dos principais concorrentes globais.

As tensões geopolíticas são apontadas por 83% dos decisores como o principal risco para o setor, seguindo-se a fraca procura e o aumento dos custos. Para responder a este cenário, muitas empresas planeiam reforçar a regionalização das operações, aproximando a produção, os serviços e as vendas dos mercados estratégicos, de forma a reduzir a exposição às restrições comerciais e às cadeias de abastecimento internacionais.

Apesar do contexto desafiante, a Oliver Wyman considera que áreas como a eletrificação, a inteligência artificial e o setor da defesa poderão impulsionar o crescimento da indústria. A consultora defende ainda que o reforço da resiliência financeira e a adaptação das cadeias de valor serão determinantes para que os fabricantes europeus recuperem competitividade num ambiente económico cada vez mais incerto.

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