Vai à piscina? Médicos revelam os 6 comportamentos que nunca deve adotar

Os dias quentes de verão convidam a longas horas passadas na piscina, seja em família, entre amigos ou simplesmente para aliviar as temperaturas elevadas.

Pedro Zagacho Gonçalves

Os dias quentes de verão convidam a longas horas passadas na piscina, seja em família, entre amigos ou simplesmente para aliviar as temperaturas elevadas. No entanto, apesar de ser uma atividade associada ao lazer e ao descanso, os especialistas alertam que existem hábitos aparentemente inofensivos que podem aumentar significativamente o risco de acidentes, infeções e outros problemas de saúde. Médicos de várias especialidades partilharam os comportamentos que evitam sempre quando frequentam piscinas, deixando recomendações destinadas a tornar esta época do ano mais segura para crianças e adultos.

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Um dos conselhos mais importantes, mas frequentemente ignorado, é tomar um duche antes de entrar na água. Embora muitas pessoas considerem este passo desnecessário, sobretudo quando planeiam tomar banho depois de sair da piscina, os especialistas explicam que esta simples medida ajuda a preservar a qualidade da água e a reduzir o risco de contaminação.

Segundo o dermatologista Chris Bunick, da Yale Medicine e professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, o suor, o protetor solar, os cremes corporais, os produtos capilares e os óleos naturais da pele reagem com o cloro da piscina. Essa reação diminui a capacidade desinfetante do cloro e favorece a formação de compostos irritantes que podem provocar ardor nos olhos e irritações cutâneas.

Além disso, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) recomendam que todas as pessoas passem pelo menos um minuto debaixo do chuveiro antes de entrarem na piscina, eliminando bactérias, microrganismos e outras impurezas transportadas na pele. Bunick acrescenta que este procedimento é ainda mais importante quando alguém chega da praia ou apresenta areia e sujidade no corpo, evitando contaminar a água e sobrecarregar os sistemas de filtragem.

Nunca levar recipientes de vidro para junto da piscina
Outra recomendação dos especialistas passa por manter qualquer objeto de vidro afastado da piscina. Garrafas, copos ou recipientes de vidro podem parecer inofensivos, mas representam um dos maiores riscos de acidentes neste tipo de espaços.

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O diretor do Serviço de Urgência do Hartford HealthCare St. Vincent’s Medical Center, Steven Valassis, alerta que o vidro partido constitui um perigo particularmente difícil de detetar. “O vidro partido não é um perigo visível. Quer esteja no pavimento em redor da piscina ou dentro da água, pode ser praticamente invisível”, explica.

Como a maioria das pessoas circula descalça junto às piscinas, pequenos fragmentos podem provocar cortes profundos. Segundo Valassis, cerca de 5% destas lacerações são suficientemente graves para exigir internamento hospitalar e cirurgia.

Se o vidro partir dentro da piscina, o problema torna-se ainda mais complexo. Os fragmentos são extremamente difíceis de localizar e remover, podendo obrigar ao esvaziamento completo da piscina e à realização de uma limpeza especializada. A alternativa recomendada pelos médicos é simples: optar por copos de plástico ou latas de alumínio.

Nunca deixar uma criança sozinha, nem por alguns segundos
Entre todos os conselhos deixados pelos especialistas, este é considerado o mais importante. Os médicos sublinham que basta um curto momento de distração para ocorrer um afogamento.

Steven Valassis refere que um dos maiores equívocos entre os pais consiste em acreditar que ouvirão chapinhar ou gritos caso uma criança esteja em perigo. No entanto, a realidade é bastante diferente.

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“O afogamento é rápido, frequentemente silencioso e pode acontecer a qualquer criança”, afirma o especialista. Segundo um inquérito citado por Valassis, 48% dos pais acreditam erradamente que ouviriam salpicos ou pedidos de ajuda caso o filho estivesse em dificuldades dentro de água.

A Academia Americana de Pediatria recorda igualmente que as aulas de natação ajudam a melhorar as competências aquáticas, mas não eliminam o risco de afogamento. Os CDC alertam que um afogamento pode ocorrer em poucos segundos, razão pela qual a vigilância deve ser constante, direta e sem distrações, independentemente da idade da criança ou da sua capacidade para nadar.

Não entrar na água quando se está doente
Mesmo que o plano para o dia seja passar horas na piscina, os médicos recomendam adiar a atividade sempre que existam sintomas de doença, sobretudo infeções gastrointestinais.

Chris Bunick explica que nadar quando alguém está doente pode agravar o próprio estado clínico. “Nadar enquanto se está doente geralmente não é uma boa ideia, porque a atividade física pode desencadear náuseas, vómitos e aumentar o risco de desidratação, agravando ainda mais a situação”, afirma.

Além disso, existe o risco de transmissão de agentes infecciosos a outras pessoas. O dermatologista lembra que o cloro e os restantes produtos utilizados no tratamento da água não eliminam imediatamente todos os microrganismos, existindo um intervalo durante o qual vírus e bactérias podem ser transmitidos entre banhistas.

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Evitar nadar com feridas abertas
Outra situação que os especialistas desaconselham é entrar na piscina quando existem cortes profundos, escoriações importantes ou incisões cirúrgicas recentes.

Segundo Chris Bunick, “é preferível não nadar com uma ferida aberta, especialmente quando existe um corte profundo ou uma escoriação significativa”. O médico explica que os produtos químicos presentes na água podem agravar a lesão, aumentando a inflamação e retardando a cicatrização.

Ao mesmo tempo, a exposição contínua à água favorece o risco de infeção, sobretudo em ambientes naturais, como rios, lagos ou mar, onde esse risco é ainda superior.

No caso de pequenos cortes superficiais, Bunick considera que normalmente não é necessário abdicar da piscina, desde que a lesão seja protegida com uma pomada cicatrizante e um penso impermeável. Ainda assim, recomenda vigiar atentamente sinais como vermelhidão, inchaço ou saída de líquido, que podem indicar uma infeção e justificar observação médica.

Nunca mergulhar em zonas pouco profundas
Os médicos das urgências alertam também para um dos acidentes potencialmente mais graves associados às piscinas: os mergulhos em águas pouco profundas.

Steven Valassis explica que, quando uma pessoa mergulha e bate com a cabeça no fundo da piscina, o impacto pode provocar traumatismos cranianos e transmitir uma enorme força para a coluna cervical.

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“Se uma criança mergulhar numa piscina pouco profunda e bater com a cabeça no fundo, o impacto inicial pode causar lesões cerebrais. A força transmite-se depois para o pescoço e para a coluna cervical, podendo provocar lesões na medula espinal”, afirma.

As consequências podem ser devastadoras, incluindo paralisia e, nos casos mais graves, incapacidade para respirar de forma autónoma.

O especialista acrescenta que a maioria destes acidentes não acontece em piscinas públicas com nadadores-salvadores, mas sim em piscinas privadas. Por esse motivo, a Cruz Vermelha Americana recomenda entrar sempre de pés primeiro quando a profundidade da água é desconhecida.

A maioria dos acidentes pode ser evitada
Apesar dos riscos identificados, os especialistas deixam uma mensagem tranquilizadora: grande parte dos acidentes e problemas de saúde associados às piscinas pode ser evitada através de medidas simples de prevenção.

Tomar um duche antes de entrar na água, evitar recipientes de vidro, nunca perder de vista as crianças, não nadar quando se está doente, proteger adequadamente as feridas e evitar mergulhos em águas pouco profundas são gestos que podem fazer toda a diferença.

Como conclui Steven Valassis, a maioria das lesões relacionadas com piscinas é evitável quando existe consciência dos riscos e são adotadas precauções básicas, permitindo desfrutar do verão com muito mais segurança.

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