Encher um depósito de 50 litros de gasóleo continua a custar mais 13,2 euros do que no início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão, apesar de o petróleo já ter recuado significativamente em relação aos máximos atingidos durante o conflito.
Segundo o ‘Jornal de Notícias’, o preço do gasóleo em Portugal aumentou 16,5% desde o início das hostilidades, mais do dobro da valorização de 7,6% registada pelo petróleo Brent, a referência utilizada no mercado português.
O litro de gasóleo passou de 1,596 para 1,860 euros, elevando de 79,80 para 93 euros o custo de um depósito de 50 litros. No pico alcançado a 9 de abril, chegou aos 2,145 euros por litro, o que correspondia a 107,25 euros por depósito — mais 27,45 euros do que no início da guerra.
A gasolina também permanece consideravelmente mais cara. O preço por litro aumentou de 1,681 para 1,892 euros, uma subida de 12,5%. Para quem abasteça 50 litros, o agravamento representa mais 10,55 euros.
A diferença entre a evolução do petróleo e os preços pagos pelos condutores volta a alimentar a perceção de que os combustíveis “sobem de elevador e descem pelas escadas”. As valorizações do crude chegam rapidamente às bombas, enquanto as descidas podem demorar várias semanas a refletir-se nos preços finais.
As gasolineiras não compram diretamente barris de petróleo, mas combustíveis já refinados, cujo preço é determinado pelas cotações internacionais Platts. Acrescem ainda os custos de refinação, transporte, armazenamento, margens comerciais e impostos, que representam mais de metade do valor pago pelo consumidor.
As empresas trabalham também com reservas adquiridas antecipadamente. Quando o petróleo desce, podem continuar a vender gasolina e gasóleo comprados anteriormente a preços superiores, adiando a redução nas bombas.
Ainda assim, a diferença é expressiva. O barril de Brent passou de 72,48 para 77,99 dólares, aproximadamente de 63,45 para 68,27 euros à taxa de referência do Banco Central Europeu de 13 de julho.
Apesar de o petróleo ter valorizado 7,6%, o gasóleo aumentou 16,5% em Portugal. Nos últimos 30 dias, o Brent chegou mesmo a recuar quase 16% em relação aos máximos do conflito, mas esse alívio ainda não chegou com a mesma intensidade aos consumidores.
O encarecimento já está a alterar os hábitos dos portugueses. Dados citados pelo ‘Jornal de Notícias’ mostram que o consumo de gasóleo caiu 4,5%, passando de 399.291 toneladas em fevereiro para 381.463 toneladas em maio.
A gasolina seguiu o caminho inverso: o consumo aumentou 6%, de 103.833 para 110.101 toneladas. Esta evolução estará relacionada com a mudança nas vendas de automóveis, com uma maior procura por veículos a gasolina ou híbridos que utilizam este combustível.
As novas tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, voltam agora a ameaçar os preços. Desde segunda-feira, o gasóleo simples aumentou sete cêntimos por litro e a gasolina 95 subiu 2,5 cêntimos, prolongando uma fatura que continua a pesar mais nas bombas do que a própria subida do crude.

















