Gasóleo mantém-se há um mês e meio acima do preço eficiente da ERSE e análise aponta para subidas mais rápidas do que as descidas

O preço médio do gasóleo simples vendido nos postos de abastecimento em Portugal mantém-se há 42 dias consecutivos acima do chamado “preço eficiente” calculado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

Revista de Imprensa

O preço médio do gasóleo simples vendido nos postos de abastecimento em Portugal mantém-se há 42 dias consecutivos acima do chamado “preço eficiente” calculado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), um indicador que procura refletir o valor de mercado do combustível tendo em conta fatores como as cotações internacionais, custos de logística, incorporação de biocombustíveis, margem de comercialização e carga fiscal. A situação significa que, há praticamente mês e meio, os consumidores têm encontrado nas bombas um preço superior ao valor de referência estimado pelo regulador.

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Segundo uma análise do Público, que examinou 2.676 registos diários da ERSE entre 7 de janeiro de 2019 e 5 de julho de 2026, apenas os consumidores que beneficiam de campanhas promocionais e descontos conseguem, de forma consistente, pagar abaixo do preço eficiente. A investigação conclui igualmente que os dados evidenciam um comportamento recorrente do mercado: os preços nas bombas tendem a acompanhar rapidamente as subidas das cotações internacionais, mas demoram mais tempo a refletir as descidas, fenómeno conhecido na literatura económica como efeito “foguetão-pluma”.

A análise incidiu sobre o gasóleo por continuar a ser, apesar da redução das vendas de veículos a gasóleo, o combustível rodoviário mais consumido em Portugal, representando 76,8% do consumo nacional em 2025, segundo dados da Epcol. Entre os casos analisados destacam-se dois momentos extremos: a 21 de março de 2022, o preço médio do gasóleo esteve 16,3 cêntimos por litro acima do preço eficiente, num contexto marcado pela guerra na Ucrânia e pela forte volatilidade dos mercados petrolíferos; já a 9 de março de 2026, em plena escalada das tensões no Médio Oriente e após o bloqueio do Estreito de Ormuz, o preço médio nas bombas encontrava-se 25,8 cêntimos abaixo do valor eficiente calculado pela ERSE, refletindo um atraso na repercussão da subida das cotações internacionais.

Os dados analisados mostram ainda que a cotação internacional do gasóleo continua a ser o principal fator de influência sobre o preço final pago pelos consumidores. Ainda assim, o estudo refere que, quando os preços internacionais descem, a redução demora mais tempo a chegar às bombas. A indústria justifica as subidas rápidas com o chamado “preço de reposição”, argumentando que o combustível tem de ser vendido tendo em conta o custo da próxima aquisição e não o do produto já armazenado. No entanto, segundo a análise, essa explicação perde protagonismo quando as cotações internacionais recuam, passando então a ser apontados fatores como os custos logísticos e de transporte.

Apesar de o preço eficiente da ERSE não constituir um preço máximo nem um valor regulado, funcionando apenas como um indicador de referência para o mercado, a análise conclui que, nos últimos cinco anos e meio, cerca de dois terços dos dias registaram preços médios de venda superiores ao valor eficiente. No período mais recente, a tendência tornou-se particularmente evidente: desde 1 de junho, o preço médio anunciado para o gasóleo permanece acima do referencial da ERSE, uma situação que se prolonga há seis semanas consecutivas e coincide com novos aumentos previstos nos combustíveis, que poderão atingir cerca de sete cêntimos por litro no gasóleo e 2,5 cêntimos na gasolina.

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