Os bancos intensificaram, ao longo de 2025, a monitorização dos clientes com crédito à habitação, aumentando o número de processos abertos para identificar situações de potencial incumprimento. Segundo o mais recente Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito do Banco de Portugal, foram instaurados 801.780 processos no âmbito do Plano de Ação para o Risco de Incumprimento (PARI), o equivalente a uma média de cerca de 67 mil por mês, abrangendo contratos com uma dívida total próxima dos 20 milhões de euros. Face a 2024, o número de processos aumentou cerca de 9%, uma evolução que o regulador atribui ao reforço da identificação precoce de clientes com risco de dificuldades financeiras ou que alertaram os próprios bancos para problemas no pagamento das prestações.
Apesar do aumento dos mecanismos de prevenção, o Banco de Portugal conclui que mais de 60% dos processos acabaram encerrados por se verificar a inexistência de risco de incumprimento. Nos restantes casos, apenas 0,1% resultou num acordo de renegociação das condições do contrato de crédito, enquanto cerca de 230 mil processos terminaram sem qualquer entendimento entre a instituição financeira e o cliente.
Em sentido contrário, os processos abertos devido a situações de incumprimento efetivo voltaram a diminuir em 2025. A média mensal baixou de 8.165 processos em 2024 para 7.846 no ano passado. O Banco de Portugal destaca ainda que, na maioria das situações, a regularização acontece através do pagamento dos montantes em atraso, sublinhando que “a regularização das situações de incumprimento ocorre predominantemente através do pagamento dos montantes em mora, o que evidencia o papel determinante do comportamento do cliente na sua resolução”.














