A seleção nacional entra esta quarta-feira em campo para disputar o primeiro encontro no Campeonato do Mundo de 2026 frente à República Democrática do Congo, num jogo marcado para Houston, nos Estados Unidos. Enquanto as atenções dos adeptos se concentram na estreia portuguesa na competição, o país africano continua a enfrentar uma das mais sérias crises de saúde pública dos últimos anos, devido a um surto de Ébola que já provocou centenas de infeções e mais de uma centena de mortes.
De acordo com os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no passado domingo, 14 de junho, foram confirmados 689 casos de infeção pelo vírus Ébola desde o início do atual surto, oficialmente declarado a 15 de maio. As autoridades sanitárias registaram igualmente 139 mortes associadas à doença.
A epidemia concentra-se sobretudo na província de Ituri, identificada pelas autoridades como o principal foco de propagação do vírus. Contudo, o surto já se alastrou a outras regiões do leste do país, incluindo as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
No total, 29 zonas de saúde encontram-se atualmente afetadas pela doença, num cenário que continua a preocupar as autoridades congolesas e as organizações internacionais de saúde.
Os centros de tratamento mantêm centenas de pessoas em isolamento e as estruturas hospitalares continuam a reforçar a capacidade de resposta perante o aumento contínuo de casos. Até ao momento, apenas 32 doentes receberam alta hospitalar.
Casos já ultrapassaram fronteiras
A propagação do vírus não se limita ao território congolês. Segundo os dados divulgados, foram também identificadas 19 infeções no Uganda relacionadas com este surto, incluindo vários casos importados da República Democrática do Congo.
Esta evolução levou a OMS a acompanhar de perto a situação epidemiológica na região.
Embora a organização mantenha a classificação do risco global como “baixa”, considera que o risco de disseminação na África Subsaariana permanece elevado.
A agência das Nações Unidas acredita ainda que o vírus poderá ter circulado durante várias semanas antes de as autoridades identificarem oficialmente o surto em meados de maio.
Variante não tem vacina nem tratamento específico
O atual surto está associado à variante Bundibugyo do vírus Ébola.
Segundo a OMS, esta estirpe apresenta características particularmente preocupantes, uma vez que não existe atualmente uma vacina autorizada nem um tratamento específico aprovado para combater esta variante.
A organização indica ainda que a taxa de mortalidade associada à variante Bundibugyo pode variar entre 30% e 50%.
O vírus transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e pode provocar sintomas graves, incluindo febre elevada, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
Mundial decorre sem alterações para a seleção congolesa
Apesar da situação sanitária que afeta o país, a participação da República Democrática do Congo no Campeonato do Mundo não sofreu qualquer alteração.
A seleção congolesa continua a preparar-se normalmente para a estreia frente a Portugal, naquele que será o primeiro encontro do Grupo K.
A equipa africana participa pela primeira vez na fase final de um Campeonato do Mundo, depois de ter alcançado uma histórica qualificação para a competição.
Futebol em campo, crise sanitária fora dele
A estreia da República Democrática do Congo no Mundial representa um momento histórico para o futebol do país. No entanto, fora dos relvados, as autoridades continuam empenhadas no combate a uma epidemia que permanece em expansão e que já provocou um elevado número de vítimas.
Assim, enquanto os olhos do mundo estarão voltados para Houston e para o embate entre Portugal e a seleção congolesa, a realidade vivida no país africano continua a ser marcada pelo esforço das equipas médicas e das autoridades para conter um dos mais significativos surtos de Ébola registados nos últimos anos.













