Os líderes dos países nórdicos e bálticos reafirmaram esta terça-feira, em Tallin, o seu apoio à integração da Ucrânia nas estruturas euro-atlânticas, defendendo a sua “marcha irreversível” rumo à NATO e apelando à abertura rápida de negociações concretas para a adesão de Kyiv à União Europeia.
A posição foi assumida numa declaração conjunta aprovada durante a cimeira do NB8, grupo informal que reúne os cinco países nórdicos — Finlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca e Islândia — e os três Estados bálticos — Estónia, Letónia e Lituânia. O encontro contou também com a participação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
No documento final, os líderes manifestaram apoio à “rápida adesão” da Ucrânia à União Europeia e à sua “integração euro-atlântica plena, incluindo a entrada na NATO”, reforçando uma posição que ganha particular relevância numa região que se considera especialmente exposta à ameaça russa desde o início da invasão em grande escala lançada por Moscovo em fevereiro de 2022.
Os oito países consideram que a Rússia continua a representar “a ameaça mais significativa e direta para a segurança euro-atlântica, tanto atualmente como a longo prazo”, acusando igualmente a Bielorrússia de facilitar a agressão russa contra a Ucrânia.
Alerta para ameaças híbridas e incursões de drones
Na declaração, os governantes nórdicos e bálticos advertiram o Kremlin de que as suas operações híbridas, ataques cibernéticos, ações de sabotagem e campanhas de desinformação destinadas a enfraquecer o apoio ocidental à Ucrânia “falharão”.
Os líderes referiram ainda os incidentes recentes envolvendo drones que penetraram no espaço aéreo de países aliados. Segundo o grupo, a responsabilidade continua a recair sobre Moscovo, quer se trate de aparelhos russos, quer de drones ucranianos desviados devido às operações de guerra eletrónica conduzidas pela Rússia.
A crescente preocupação com a segurança regional levou também os oito países a reafirmarem o compromisso de atingir a meta da NATO de investir 5% do Produto Interno Bruto em defesa, prometendo alcançar esse objetivo muito antes de 2035.
Zelensky fecha acordo sobre drones com a Letónia
À margem da cimeira, Volodymyr Zelensky concluiu um acordo de cooperação na área dos drones com o primeiro-ministro da Letónia, Andris Kulbergs, embora os detalhes do entendimento não tenham sido divulgados.
Numa mensagem publicada na rede social X, o presidente ucraniano afirmou que o acordo inclui “medidas concretas para fortalecer a nossa defesa conjunta e a coprodução” e sublinhou que permitirá que “a experiência e os conhecimentos da Ucrânia contribuam para reforçar os nossos parceiros”.
Por sua vez, Andris Kulbergs destacou os benefícios tecnológicos da parceria para a Letónia, afirmando que o acordo proporcionará novas oportunidades de coprodução e transferência de conhecimento.
“Precisamos de proteger os nossos céus, e ninguém sabe fazer isso melhor do que a Ucrânia”, declarou o chefe do Governo letão durante uma conferência de imprensa conjunta. Kulbergs recordou ainda que os drones se tornaram uma das principais causas de baixas nas forças russas no campo de batalha.
Ucrânia expande rede europeia de cooperação
Segundo Rustem Umerov, presidente do Conselho de Defesa e Segurança da Ucrânia, a Letónia tornou-se o sexto país a aderir à iniciativa ucraniana de cooperação internacional no setor dos drones.
Já em maio, Zelensky tinha revelado que cerca de duas dezenas de países manifestavam interesse em celebrar acordos semelhantes com Kyiv.
Numa nova publicação na rede social X, o presidente ucraniano sintetizou a estratégia do seu país para a cooperação com os aliados europeus: “A Ucrânia está interessada em garantir que todas as regiões da Europa tenham proteção suficiente contra as ameaças russas.”









