Irão anuncia fim dos ataques a Israel, mas ameaça resposta “mais severa” se houver nova agressão

Declaração foi feita pelo comando militar de emergência Khatam al-Anbiya e surge num momento em que o frágil cessar-fogo no Médio Oriente volta a ser posto à prova por novas trocas de ataques entre Israel e o Irão

Francisco Laranjeira

O Irão anunciou a suspensão das operações militares contra Israel, mas avisou que poderá responder com medidas “mais severas e esmagadoras” se as ações militares israelitas continuarem, incluindo no sul do Líbano. A declaração foi feita pelo comando militar de emergência Khatam al-Anbiya e surge num momento em que o frágil cessar-fogo no Médio Oriente volta a ser posto à prova por novas trocas de ataques entre Israel e o Irão.

“A cessação das operações das forças armadas é anunciada”, refere o comunicado citado pelos media iranianos. A mesma nota acrescenta, porém, que, se a “agressão” e os “atos de malícia” continuarem, nomeadamente no sul do Líbano, Teerão avançará com medidas “muito mais severas e esmagadoras” do que as anteriores.

O anúncio surge depois de Donald Trump ter afirmado que Israel e Irão querem um cessar-fogo imediato. Numa publicação na ‘Truth Social’, o presidente americano apelou aos dois lados para que parassem imediatamente de “disparar” e afirmou que as negociações finais de paz continuam em curso, embora possam ser prejudicadas por “ignorância ou estupidez”.

Trump mantém pressão sobre Teerão

Apesar do apelo à desescalada, Trump deixou claro que o bloqueio contra o Irão continuará “em pleno vigor” até ser alcançado um acordo final. O presidente americano tem procurado apresentar-se como o principal mediador de uma saída para o conflito, numa altura em que as negociações com Teerão enfrentam dificuldades e a guerra tem sido impopular junto da opinião pública americana.

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A tensão agravou-se este domingo, quando Israel lançou ataques aéreos no Líbano, uma frente que tem sido um dos pontos sensíveis nas negociações entre Washington e Teerão. O Irão respondeu com mísseis contra Israel, no primeiro ataque deste tipo em dois meses. Na segunda-feira, Israel voltou a atacar alvos no centro e oeste do Irão.

O Exército israelita afirmou ter atingido “alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano”, mas não detalhou as estruturas visadas. A Casa Branca não respondeu às questões sobre se os ataques israelitas tiveram coordenação ou aprovação dos Estados Unidos.

Líbano volta ao centro da crise

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A referência iraniana ao sul do Líbano mostra que esta frente continua a ser um dos principais pontos de risco. Teerão acusa Israel de prolongar a instabilidade regional através das operações militares naquele território, enquanto Israel insiste na necessidade de responder a ameaças ligadas a grupos apoiados pelo Irão.

O conflito reacendeu-se num momento em que o cessar-fogo alcançado em abril parecia cada vez mais frágil. Além dos ataques entre Israel e Irão, Israel afirmou ter detetado um míssil lançado a partir do Iémen, onde operam os rebeldes Houthi, também apoiados por Teerão. A Arábia Saudita chegou a acionar sirenes de alerta numa zona próxima de uma base com forças americanas, embora tenha indicado depois que o perigo tinha passado.

O risco para as negociações é evidente. Embora Trump tenha dito que os ataques iranianos não teriam impacto no acordo, outros sinais apontam para um processo diplomático em dificuldade. Um responsável iraniano ligado às conversações afirmou que, nesta fase, um acordo com Trump já não é viável, responsabilizando o presidente americano pela escalada e pela situação no Líbano.

Cessar-fogo ainda preso por divergências

As negociações continuam marcadas por várias divergências. Entre os pontos em aberto estão a sequência para reabrir o estreito de Ormuz, as exigências americanas sobre o programa nuclear iraniano e a reivindicação de Teerão para receber fundos congelados antes de fechar um entendimento.

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Trump ameaçou manter o bloqueio aos portos iranianos e admitiu nova ação militar caso não haja acordo. O presidente americano também afirmou que os Estados Unidos poderiam agir contra urânio enriquecido iraniano, caso Teerão não o entregue, uma hipótese que especialistas consideram arriscada devido aos potenciais perigos de contaminação e à exposição de forças americanas.

Apesar disso, responsáveis da administração americana insistem que as conversações estão a avançar. Outros diplomatas regionais, pelo contrário, afirmam que o processo regrediu e que as trocas militares tornam cada vez mais difícil separar a negociação da possibilidade de retoma aberta da guerra.

A mensagem de Teerão procura, por isso, deixar duas ideias em simultâneo: o Irão aceita parar os ataques contra Israel, mas não abdica de responder se considerar que Israel continua a agir no Líbano ou contra interesses iranianos. O cessar-fogo mantém-se, mas continua dependente de um equilíbrio instável entre pressão militar, ameaças políticas e negociações ainda sem acordo final.

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