Quase metade dos portugueses já corta na alimentação devido à subida dos preços

A subida dos preços provocada pela escalada do conflito no Médio Oriente já está a alterar de forma significativa os hábitos de consumo das famílias portuguesas.

Revista de Imprensa

A subida dos preços provocada pela escalada do conflito no Médio Oriente já está a alterar de forma significativa os hábitos de consumo das famílias portuguesas, com quase metade da população a admitir que começou a cortar nas despesas com alimentação. O impacto do aumento do custo de vida está também a levar muitos consumidores a reduzir deslocações, utilizar menos o automóvel e limitar gastos considerados não essenciais, num cenário de crescente pressão sobre os orçamentos familiares.

De acordo com um barómetro da Intercampus divulgado pelo Negócios, 46,7% dos inquiridos afirmam ter mudado a forma como compram alimentos ou reduzido a despesa associada à alimentação devido à subida dos preços relacionada com a guerra no Irão. O estudo revela ainda que 58,5% já evitam viagens ou deslocações desnecessárias, enquanto 52,4% dizem estar a usar menos o carro por causa do aumento do preço dos combustíveis.

A contenção financeira estende-se igualmente a outras áreas do consumo. Quase metade dos portugueses, cerca de 47,7%, admite ter reduzido as idas a restaurantes, enquanto 32,9% afirmam gastar menos em roupa e acessórios. Já 27,7% dizem ter cortado despesas com férias e 25,4% reduziram gastos ligados à cultura e lazer, incluindo livros e espetáculos. Apenas uma pequena percentagem dos inquiridos, cerca de 9,4%, indicou não ter alterado os seus hábitos de consumo ou preferiu não responder.

O agravamento dos preços surgiu após o aumento das tensões no Médio Oriente, depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão no final de fevereiro. Em resposta, Teerão avançou com o bloqueio do estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas mundiais para o transporte de petróleo e gás natural, por onde circula cerca de 20% do consumo energético global. A interrupção parcial desta via provocou uma subida acentuada dos preços da energia e também dos fertilizantes agrícolas, com reflexos diretos na inflação.

O inquérito mostra ainda que 94,7% dos portugueses dizem já sentir os efeitos da subida de preços desde o início do conflito. Em abril, a inflação acelerou para 3,3% em Portugal e para 3% na Zona Euro, depois de anteriormente se situar em torno dos 2%. Ao mesmo tempo, a esmagadora maioria dos participantes considera insuficiente a resposta do Executivo, com 76,6% a defenderem que o Governo deveria avançar com mais medidas de apoio às famílias e empresas.

Continue a ler após a publicidade

Entre as medidas já anunciadas pelo Governo está um mecanismo de desconto fiscal sobre os combustíveis e um pacote de apoios de 150 milhões de euros por mês até ao final de junho destinado aos setores mais afetados pelo aumento dos custos energéticos, incluindo transportes, agricultura e bombeiros. Apesar disso, o pessimismo domina a perceção dos portugueses: dois terços dos inquiridos consideram que o país está hoje pior do que em 2025, enquanto apenas uma pequena minoria entende que a situação melhorou.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.