Comprar casa nunca foi tão caro, e perceber porquê é essencial

Opinião de Beatriz Rubio, CEO da RE/MAX Portugal

Executive Digest

Por Beatriz Rubio, CEO da RE/MAX Portugal

O mercado imobiliário português atravessa um dos períodos mais exigentes das últimas décadas. Entre 2015 e 2025, o preço da habitação em Portugal aumentou cerca de 180%. Em apenas dez anos, comprar casa tornou-se quase três vezes mais caro.

Este crescimento não resulta de um único fator. É o resultado de uma combinação clara entre aumento da procura, escassez de oferta e uma transformação profunda na forma como se constrói habitação.

Hoje existe, acima de tudo, uma pressão estrutural sobre o mercado. Faltam casas. E quando a oferta não acompanha a procura, os preços inevitavelmente sobem.

Portugal ocupa atualmente o segundo lugar na lista dos países da União Europeia com maior aumento dos preços da habitação na última década. Este dado ajuda a perceber a dimensão do fenómeno e explica porque o tema da habitação passou a ser uma das principais preocupações económicas e sociais do país.

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Mas é importante compreender também outro lado desta realidade: a construção atual não é comparável à de há dez ou quinze anos.

Os edifícios construídos antes de 2015 obedeciam a regras muito diferentes das que existem hoje. Na última década, a regulamentação europeia introduziu exigências muito mais rigorosas em matéria de sustentabilidade, eficiência energética, isolamento térmico e acústico, qualidade dos materiais e impacto ambiental.

Na prática, isto significa que as casas construídas hoje são tecnicamente melhores e oferecem uma qualidade de vida superior. O problema é que essa evolução também tornou o processo de construção mais caro.

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A este fator juntam-se outros dois desafios críticos: a falta de mão de obra qualificada no setor e o aumento significativo do custo dos materiais. Construir uma casa hoje custa substancialmente mais do que custava há uma década.

Perante este cenário, a única forma estrutural de aliviar a pressão sobre os preços passa por aumentar a oferta habitacional. E para isso existem duas condições fundamentais: mais construção e processos de licenciamento mais rápidos.

Sem acelerar a aprovação de projetos e sem criar condições para que novos empreendimentos avancem com previsibilidade, será difícil equilibrar o mercado.

Uma das medidas que pode contribuir para aliviar os custos de produção é a redução do IVA da construção de 23% para 6%. Trata-se de uma decisão que pode ter impacto real no preço final das casas, desde que aplicada de forma eficaz e com reflexo direto no consumidor.

Ainda assim, é importante ser realista: enquanto a oferta continuar insuficiente face à procura, a tendência de subida de preços dificilmente se inverterá no curto prazo.

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Num mercado com estas características, o foco deve estar também na acessibilidade. O objetivo não deve ser vender menos casas a preços cada vez mais altos, mas sim aumentar o acesso à habitação. Um mercado saudável é aquele que permite que mais famílias consigam encontrar uma solução habitacional adequada.

A habitação é, antes de tudo, uma necessidade essencial. E responder a este desafio exige visão estratégica, colaboração entre setor público e privado e decisões estruturais que permitam aumentar a oferta e devolver equilíbrio ao mercado. Porque só com mais casas será possível tornar a habitação novamente acessível para mais portugueses.

 

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