A inteligência das crianças vem mais da mãe ou do pai? A ciência explica

A investigação científica revela que o potencial intelectual depende de múltiplos fatores, desde os genes herdados até aos estímulos recebidos ao longo da infância.

Patrícia Moura Pinto

A ideia de que a inteligência é herdada exclusivamente da mãe tem circulado amplamente, sobretudo nas redes sociais. No entanto, a evidência científica aponta para uma realidade bem mais complexa. Tanto o pai como a mãe contribuem para o potencial intelectual de uma criança, sendo este resultado de uma combinação entre genética e ambiente.

De acordo com a Tua Saúde, a inteligência não depende de um único fator, mas sim de uma interação entre vários elementos biológicos e ambientais ao longo do desenvolvimento.

A origem deste mito está associada a estudos antigos sobre o cromossoma X, que contém genes relacionados com o desenvolvimento cerebral. Como as mulheres possuem dois cromossomas X e os homens apenas um, surgiu a teoria de que a mãe teria um peso maior na transmissão da inteligência.

Contudo, investigações mais recentes mostram que esta visão é simplista. Não existe um “gene da inteligência” isolado, nem uma predominância exclusiva da herança materna. A contribuição genética vem de ambos os progenitores e envolve diferentes regiões do ADN.

A inteligência é considerada um traço poligénico, ou seja, resulta da ação conjunta de muitos genes. Cada um desses genes tem um impacto pequeno, mas em conjunto influenciam capacidades como memória, raciocínio, linguagem e aprendizagem.

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Estudos científicos de grande escala identificaram centenas de regiões genéticas associadas ao desempenho cognitivo, distribuídas por vários cromossomas. Isto reforça a ideia de que não há um único responsável, mas sim uma rede complexa de influências genéticas herdadas do pai e da mãe.

O papel do ambiente no desenvolvimento cognitivo

Apesar da importância da genética, o ambiente tem um peso igualmente relevante. Estima-se que cerca de metade da variação da inteligência entre indivíduos esteja relacionada com fatores ambientais.

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Entre esses fatores destacam-se a qualidade da educação, os estímulos cognitivos durante a infância, a alimentação, o sono e o vínculo emocional com os cuidadores. Um ambiente rico em estímulos pode potenciar o desenvolvimento intelectual, enquanto a falta deles pode limitar o potencial, independentemente da predisposição genética.

O desenvolvimento cognitivo pode ser incentivado desde cedo através de experiências que promovam a aprendizagem e a curiosidade. A interação com os pais, o acesso a educação de qualidade e um ambiente emocionalmente seguro são fundamentais para o crescimento intelectual.

Além disso, cuidar da saúde geral da criança e acompanhar o seu desenvolvimento ao longo do tempo contribui para maximizar as suas capacidades cognitivas

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