Detidos na Etiópia suspeitos de rede de tráfico humano responsável por 3.000 vítimas

A polícia etíope anunciou hoje a detenção de um “perigoso traficante internacional de seres humanos” e de nove cúmplices, acusados de manter mais de 3.000 pessoas em cativeiro na Líbia, algumas torturadas, violadas ou mortas.

Executive Digest com Lusa

A polícia etíope anunciou hoje a detenção de um “perigoso traficante internacional de seres humanos” e de nove cúmplices, acusados de manter mais de 3.000 pessoas em cativeiro na Líbia, algumas torturadas, violadas ou mortas.

Num comunicado divulgado hoje, a Polícia Federal Etíope indicou que investigava o grupo desde 2018. O grupo aliciava pessoas que queriam migrar para a Europa, entre elas “numerosos jovens da Etiópia, Sudão, Eritreia, Djibuti, Quénia e Somália, que eram levados para a Líbia, onde os mantinham como reféns em armazéns”.

Exigiam então “grandes somas de dinheiro” às famílias das vítimas. Aqueles cujos familiares não pagavam “comiam apenas uma refeição escassa por dia, eram espancados e chicoteados com borracha ou cabos elétricos e tinham as mãos e os pés acorrentados”, acrescentou a polícia.

Algumas pessoas foram “queimadas por plástico derretido de garrafas incendiadas sobre os seus corpos”, descreve, torturas qualificadas como “atos desumanos que causaram a perda de inúmeras vidas, bem como graves ferimentos físicos e psicológicos”.

A polícia, que divulgou fotografias dos sete homens e três mulheres detidos, estima que o número de vítimas seja superior a 3.000, acrescentando que “mataram mais de 100 pessoas e violaram mais de 50 mulheres”.

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A polícia etíope afirma que a sua investigação identificou mais de 70 grandes traficantes de pessoas na Etiópia e noutros países.

Estas atividades geraram mais de três mil milhões de birr (16 milhões de euros) para a rede, segundo a polícia, que disse ter recolhido depoimentos de mais de 100 familiares das vítimas ou das suas famílias, tanto na Etiópia como no estrangeiro, incluindo a Líbia, o Sudão, o Canadá e vários países europeus (Bélgica, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suíça).

A investigação foi conduzida com o apoio do Projeto ROCK da Interpol, financiado pela União Europeia para ajudar as forças policiais nacionais a desmantelar redes criminosas envolvidas no tráfico de seres humanos e no contrabando de migrantes, facilitando inclusive a troca de informações sobre fluxos e redes.

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