O Panamá classificou como “mentira” as acusações de uma filial de um grupo de Hong Kong de que não respondeu a um processo de arbitragem sobre a retirada do controlo de dois portos do canal interoceânico.
No final de janeiro, o Supremo Tribunal panamiano considerou “inconstitucional” o contrato que, desde 1997, permitia à Panama Ports Company (PPC), filial do grupo CK Hutchison, gerir dois portos situados nas extremidades do canal.
No mês seguinte, a PPC iniciou um processo de arbitragem ao abrigo das regras da Câmara de Comércio Internacional (ICC), reclamando pelo menos dois mil milhões de dólares (mais de 1,7 mil milhões de euros) em indemnizações.
Segundo a empresa, o Panamá teria declarado não estar preparado para responder dentro do prazo, alegando não ter contratado advogados, não estar familiarizado com o litígio e necessitar de tempo para definir uma estratégia.
“É infamante e é mentira”, respondeu o Presidente panamiano, José Raul Mulino, em declarações à imprensa. O chefe de Estado garantiu que o país já designou advogados internacionais para assegurar uma defesa eficaz no processo.
De acordo com Mulino, o Panamá foi notificado apenas dois dias antes do prazo para apresentar resposta, tendo por isso solicitado uma extensão.
Construído pelos Estados Unidos e inaugurado em 1914, o Canal do Panamá, com cerca de 80 quilómetros de extensão, passou para controlo panamiano em 1999. Cerca de 5% do comércio marítimo mundial passa por esta via.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou por várias vezes no ano passado retomar o controlo do canal, alegando que este estaria sob influência da China.













