A escalada dos preços dos combustíveis nos mercados internacionais deverá traduzir-se num aumento das faturas de eletricidade e gás natural em Portugal, alertou o presidente da REN. A subida surge num contexto de crescente instabilidade geopolítica, nomeadamente devido ao agravamento do conflito no Médio Oriente, que voltou a introduzir forte volatilidade nos mercados energéticos globais.
Segundo o Negócios, o CEO da REN, Rodrigo Costa, sublinha que as alterações já visíveis nos preços dos combustíveis terão impacto direto no consumidor final, afirmando que “os preços dos combustíveis já estão a sofrer alterações e essas alterações têm sempre impactos nos preços finais do gás natural e da eletricidade”.
O responsável destaca ainda a rapidez com que o cenário internacional se deteriorou, referindo que “em poucos dias passámos de um estado normal de funcionamento dos mercados de energia para uma situação de crise e grande preocupação generalizada”. Caso o conflito se prolongue, admite, poderão surgir perturbações relevantes nas cadeias de abastecimento, alertando que “haverá certamente disrupções muito sérias nas cadeias de abastecimento com repercussões gerais em todos os setores”.
Apesar deste contexto adverso, a REN considera que o país está hoje mais preparado do que durante a crise energética de 2022. “O sistema energético português é robusto tanto quanto possível e está mais bem preparado que em 2022”, afirmou Rodrigo Costa, apontando como fatores-chave os níveis elevados de armazenamento hídrico e o peso crescente das energias renováveis no mix energético nacional.
No que diz respeito ao gás natural, Portugal dispõe atualmente de reservas suficientes para cerca de 30 dias, armazenadas no terminal de GNL de Sines e nas cavernas de sal do Carriço, no concelho de Pombal. O abastecimento mantém-se estável, sem indicações de atrasos nas descargas, sendo assegurado sobretudo por países como a Nigéria e os Estados Unidos. Ainda assim, episódios recentes, como o encerramento temporário do terminal de Sines devido a condições meteorológicas adversas, obrigaram ao desvio de navios para Espanha, evidenciando limitações logísticas, nomeadamente na capacidade do gasoduto de Campo Maior.
Perante este cenário, o líder da REN defende a necessidade de reforçar a resiliência do sistema energético nacional através da diversificação das fontes de abastecimento e da redução da dependência de combustíveis fósseis. “O mundo ainda tem uma grande dependência dos combustíveis fósseis”, afirmou, sublinhando a importância de uma gestão eficiente das reservas e contratos, ao mesmo tempo que se prossegue a transição energética.







