Mais de 300 casos de sarampo deixam em alerta autoridades britânicas: maioria das crianças infetadas não estava vacinada

De acordo com o relatório, 123 destes casos foram confirmados, enquanto 57 são considerados “prováveis” e 117 “possíveis”. Numa única escola em Enfield, no norte de Londres, foram identificados 34 casos confirmados entre 20 de janeiro e 7 de fevereiro

Francisco Laranjeira

Um documento interno da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA), classificado como “informação oficial sensível”, revela que foram registados 340 casos suspeitos de sarampo em Londres desde o início de 2026, num contexto de surto crescente na capital britânica, noticiou o ‘The Independent’.

De acordo com o relatório, 123 destes casos foram confirmados, enquanto 57 são considerados “prováveis” e 117 “possíveis”. Numa única escola em Enfield, no norte de Londres, foram identificados 34 casos confirmados entre 20 de janeiro e 7 de fevereiro.

Os dados internos surgem após alertas públicos das autoridades de saúde sobre o aumento de infeções no nordeste de Londres, onde as taxas de vacinação têm vindo a diminuir. Na atualização pública mais recente, a UKHSA indicava 104 casos na capital, incluindo 71 confirmados em Enfield e Haringey — números inferiores aos agora revelados no relatório interno consultado pelo ‘The Independent’.

Entre 27 de janeiro e 24 de fevereiro, a maioria dos casos confirmados ocorreu em crianças entre um e quatro anos, com 37 infeções nessa faixa etária. Foram ainda registados 22 casos em crianças entre os cinco e os 11 anos. O relatório indica também que 42 dos casos ocorreram em crianças residentes nas zonas mais desfavorecidas de Londres.

Dados adicionais mostram que, entre 1 de janeiro de 2024 e 23 de fevereiro de 2026, foram registados 1.117 casos de sarampo em Inglaterra, dos quais 597 em Londres, 141 no Noroeste e 109 nas Midlands Ocidentais.

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O documento analisa igualmente o estado vacinal das crianças afetadas. Entre janeiro de 2025 e fevereiro deste ano, 78% das crianças entre um e quatro anos infetadas não estavam vacinadas. No grupo dos cinco aos 11 anos, 90% dos casos ocorreram em crianças sem vacinação completa.

No Reino Unido, a primeira dose da vacina combinada contra sarampo, papeira, rubéola e varicela (MMRV) é administrada aos 12 meses e a segunda aos 18 meses. A Organização Mundial da Saúde recomenda que pelo menos 95% das crianças estejam vacinadas para garantir imunidade coletiva, meta que o país não tem conseguido atingir.

No início deste ano, o Reino Unido perdeu o estatuto de país livre de sarampo precisamente devido à queda das taxas de vacinação. Em áreas como Hackney, apenas 65,3% das crianças de dois anos estavam vacinadas em 2024/25. Em Enfield, apenas 64,3% das crianças de cinco anos tinham recebido as duas doses.

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A médica de família Josephine Sauvage, diretora clínica no norte de Londres, sublinhou que a situação é preocupante, mas reforçou que existe uma solução eficaz: “A vacina demonstrou ao longo de décadas ser segura e eficaz. É a melhor forma de proteger o seu filho e toda a família.” A responsável apelou aos pais para contactarem os médicos de família caso os filhos não tenham o esquema vacinal atualizado.

O aumento dos casos ocorre num contexto de crescente preocupação com a hesitação vacinal e com o impacto das desigualdades sociais no acesso à saúde, num país que, até recentemente, tinha conseguido erradicar a transmissão endémica da doença.

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