Nem as marcas de luxo fogem à crise: Aston Martin corta 20% dos trabalhadores após maus resultados devido a tarifas

A marca britânica de automóveis de luxo Aston Martin anunciou hoje um plano de redução de 20% dos trabalhadores, após divulgar resultados negativos em 2025, prejudicados pelas tarifas comerciais.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 25, 2026
12:42

A marca britânica de automóveis de luxo Aston Martin anunciou hoje um plano de redução de 20% dos trabalhadores, após divulgar resultados negativos em 2025, prejudicados pelas tarifas comerciais.


Este anúncio diz respeito a cerca de 600 pessoas dos cerca de 3.000 funcionários do grupo, que anunciou um prejuízo líquido de 493,2 milhões de libras (566 milhões de euros), um agravamento de 52% em relação ao ano anterior.


“Tivemos de tomar, no final de 2025, a difícil decisão de implementar novas mudanças. Este último programa implicará a saída de até 20%” dos colaboradores da empresa, anunciou o presidente executivo da empresa, Adrian Hallmark, em comunicado.


“A procura dos consumidores foi afetada pelo aumento das incertezas geopolíticas e dos desafios macroeconómicos, sendo o fator mais notável a introdução de direitos aduaneiros mais elevados nos Estados Unidos e na China” acrescentou.


A marca, que já havia anunciado em outubro uma redução do seu plano de investimento de cinco anos, de 2 mil milhões de libras (2,29 mil milhões de euros) para 1,7 mil milhões de libras (1,95 milhões de euros), viu no ano passado o número de carros vendidos cair 10%, para 5.448 veículos.


O seu volume de negócios caiu 21%, para 1.260 milhões de libras (1.400 milhões de euros).


A Aston Martin, que já tinha indicado na semana passada que os seus resultados seriam piores do que o previsto, espera poupar 40 milhões de libras (45,86 milhões de euros) graças aos cortes de postos de trabalho anunciados.


O grupo acumulou dificuldades financeiras nos últimos anos: as vendas abrandaram e as perdas acumularam-se devido aos “direitos aduaneiros punitivos impostos por Trump”, mas também à “procura fraca na China e à concorrência intensa de outras marcas de carros desportivos de luxo, como Porsche, Ferrari e Lamborghini”, explica uma analista, da Interactive Investor, Victoria Scholar.


Além disso, o fabricante “atrasou o lançamento do seu primeiro carro totalmente elétrico, adiando o seu lançamento devido à desaceleração da procura mundial” por este tipo de veículos, continua a analista.


Os direitos aduaneiros impostos pelo presidente americano Donald Trump levaram a Aston Martin a limitar temporariamente as suas exportações para os EUA em abril e maio, enquanto aguardava um acordo comercial entre Londres e Washington.


Este acordo entrou em vigor no final de junho, reduzindo as tarifas alfandegárias para automóveis britânicos de 27,5% para 10%, mas apenas dentro do limite de uma cota de 100.000 veículos por ano.


“Para tentar estancar a hemorragia financeira, o grupo vendeu alguns ativos para reforçar o seu balanço” e agora está a dar “uma guinada mais radical”.


Mas “reduzir o quadro de funcionários de forma tão drástica torna difícil alcançar um aumento significativo nos volumes, e o caminho continua cheio de obstáculos para a Aston Martin”, alerta o especialista.


As ações da Aston Martin registaram uma pequena subida esta manhã na Bolsa de Londres, depois de terem subido mais de 5% no início da sessão.


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