Há casos de líderes de empresas a abdicar de todo o salário para ajudar a fazer frente às consequências económicas do novo coronavírus, um pouco por todo o Mundo. Arne Sorenson, CEO da cadeia hoteleira Marriott, é exemplo disso e não irá receber salário até ao final de 2020. Juntam-se John Elkann, da Fiat Chrysler, ou Alan Joyce, da Companhia áerea Qantas, entre outros.
Há também gestores a optar por sacrificar apenas parte dos seus rendimentos, mas, quando é esse o caso, como determinar que percentagem cortar? Philip Jansen, o CEO da BT, anunciou que irá receber apenas metade do salário anual, destinando o restante ao Sistema Nacional de Saúde britânico. Para esta decisão poderá ter pesado o facto de o próprio gestor ter testado positivo para COVID-19.
Citado pelo Financial Times, um analista da Equilar sublinha que nunca se viu algo assim – a este nível, pelo menos – e que a tendência será para continuar. Amit Batish adianta que mais de 70 empresas norte-americanas já anunciaram que os respectivos executivos irão cortar total ou parcialmente os seus salários.
O assunto será particularmente sensível em sectores como retalho ou hospitalidade, uma vez que estão entre os mais afectados pelas medidas medidas de restrição impostas no âmbito da crise sanitária. Um pouco por todo o Mundo, companhias destas áreas suspenderam os pagamentos aos accionistas e anunciaram que centenas de milhares de trabalhadores serão colocados em licença.
A necessidade de garantir dinheiro em caixa é uma das razões apontadas pelos CEOs que decidiram abdicar ou reduzir o salário, mas há também outra questão em cima da mesa: como podem esperar pedir sacríficios aos colaboradores se eles próprios não sofrerem na pele os efeitos da pandemia?
Especialmente empresas que recebam algum tipo de ajuda do Estado devem ter em atenção o modo como serão percepcionadas pelos contribuintes. Tom Gosling, partner na PwC, considera que esse é um factor a considerar, embora seja difícil determinar quem é ou não beneficiado pelo Estado, já que a intervenção governamental na economia tem sido abrangente.
Em qualquer caso, as decisões tomadas pelos CEOs neste sentido serão alvo de escrutínio público, pelo que não deverá ser uma escolha tomada somente com base em critérios financeiros. Cortes simbólicos não serão suficientes aos olhos da população, particularmente se mantiverem os prémios, bónus ou outras compensações.
«Nestes tempos particularmente difíceis, a liderança é muito sobre dar o exemplo», sublinha Sébastien Thevoux-Chabuel, portfolio manager na gestora de activos francesa Comgest. Isso significa que mesmo que alguns pacotes de remuneração tenham sido aprovados pela Administração, é esperado dos CEOs que se voluntariem para atribuir parte a iniciativas de solidariedade, por exemplo.











