O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) acusou um cidadão português de 22 anos dos crimes de tentativa de espionagem e de violação de Segredo de Estado, igualmente na forma tentada. Miguel Rodrigues encontra-se em prisão preventiva no estabelecimento prisional de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, sendo suspeito de ter furtado computadores a um militar sueco da NATO em fevereiro de 2025, quando este participava num exercício conjunto da Aliança Atlântica em território nacional.
Segundo o Correio da Manhã (CM), o caso ganhou contornos mais graves depois de o suspeito ter sido visto pela Polícia Judiciária a entregar uma pen USB a um diplomata russo, em Lisboa, embora a investigação não tenha conseguido apurar o respetivo conteúdo. A acusação resulta de um inquérito conduzido pela Unidade Nacional Contra Terrorismo da Polícia Judiciária, que envolveu vigilâncias, escutas telefónicas e diversas linhas de investigação que, ao longo do último ano, conduziram a vários impasses.
De acordo com comunicado do DCIAP, entre os dias 3 e 7 de fevereiro de 2025 decorreu, na Escola da Base Naval de Lisboa, no Alfeite, em Almada, a Conferência Inicial de Planeamento do maior exercício mundial dedicado à experimentação robótica de sistemas não tripulados — REP (MUS) — referente a 2025, iniciativa que reuniu cerca de 300 participantes, maioritariamente militares. Foi neste contexto que terá ocorrido o alegado furto dos equipamentos informáticos pertencentes ao militar sueco.
Ainda segundo o DCIAP, durante a investigação Miguel Rodrigues “chegou a expressar a vontade, que mais tarde se apurou ser simulada, de colaborar”, denunciando alegadamente a existência de uma organização criminosa dedicada à prática de atos de espionagem e de violação de Segredo de Estado, da qual afirmou fazer parte, envolvendo onze outros indivíduos, entre os quais um inspetor da Polícia Judiciária. Contudo, o Ministério Público concluiu que essa versão “não tinha qualquer correspondência com a realidade e não passou de um mero artifício usado pelo arguido com o objetivo de tirar o foco da investigação de si próprio e, provavelmente, de terceiros que nunca identificou”.














