O chanceler alemão Friedrich Merz confirmou que manteve conversações iniciais com o presidente francês Emmanuel Macron sobre a dissuasão nuclear europeia e garantiu que não permitirá o surgimento de diferentes níveis de segurança no continente, segundo noticia o site espanhol ’20 Minutos’.
No discurso de abertura da Conferência de Segurança de Munique, Merz afirmou que a Alemanha continuará a cumprir rigorosamente as suas obrigações legais no âmbito da participação nuclear na NATO. “Não permitiremos o surgimento de áreas com diferentes níveis de segurança na Europa”, declarou.
Regresso da política das grandes potências
O chanceler alertou para o regresso da chamada “política das grandes potências” ao cenário internacional, defendendo que a Europa deve reconhecer que a sua liberdade está em risco numa ordem internacional que, segundo afirmou, “já não existe”.
Merz considerou encerrada a era “unipolar” que emergiu após a queda do Muro de Berlim, sustentando que a liderança dos Estados Unidos está a ser desafiada, se não mesmo perdida. Na sua análise, o mundo está a afastar-se de uma ordem baseada em regras e aproxima-se de um modelo assente em esferas de influência, marcado por decisões rápidas, duras e frequentemente imprevisíveis.
Segundo o chanceler, esta transformação limita a capacidade de ação dos países democráticos e exige uma resposta firme da Europa. “A liberdade já não está garantida. Precisaremos de determinação para defendê-la”, afirmou.
Nova agenda europeia
Merz defendeu que os europeus devem assumir a nova realidade geopolítica sem a aceitar como destino inevitável. Na sua perspetiva, a União Europeia precisa de reforçar as suas próprias capacidades, tanto em matéria de defesa como de economia, e desenvolver uma agenda própria.
Ao mesmo tempo, abriu a porta a parcerias com países como Canadá, Japão, Brasil, Turquia ou Índia, baseadas no respeito por acordos e na resolução conjunta de conflitos.
Relação transatlântica sob tensão
O chanceler apelou ainda à reconstrução da confiança com os Estados Unidos, após meses de tensão entre países europeus e a administração do presidente Donald Trump.
Dirigindo-se em inglês aos “amigos” da Casa Branca, Merz pediu que a relação transatlântica seja reparada e revitalizada. Embora tenha reconhecido que a reconfiguração do mundo ocorre a um ritmo mais rápido do que a capacidade europeia de adaptação, mostrou-se contrário à ideia de que a Europa deva dar os Estados Unidos como parceiro perdido.
Para Merz, é necessário ter em conta as realidades geopolíticas no continente, sem subestimar o potencial da relação com Washington. “Estamos focados em nós próprios”, afirmou, sublinhando que a Europa deve avançar com determinação para implementar a sua própria agenda estratégica.














