Defesa: França põe ‘prego a fundo’ e prepara míssil balístico até 2035

A França realizou os primeiros testes de um novo sistema de artilharia de foguetes desenvolvido internamente e deverá tomar uma decisão sobre a sua aquisição nos próximos meses.

Patrícia Moura Pinto

A França está a aproximar-se de uma decisão estratégica sobre o seu futuro sistema de artilharia de foguetes, ao mesmo tempo que avança com planos ambiciosos para desenvolver um míssil balístico terrestre até 2035. Segundo o Defense News, os testes iniciais de um sistema desenvolvido internamente decorreram com sucesso, marcando um passo importante na modernização das capacidades militares do país.

Os primeiros testes de um sistema francês de artilharia de foguetes realizaram-se recentemente e apresentaram resultados positivos, com novas avaliações previstas para os próximos dias. Este processo permitirá comparar soluções nacionais com alternativas estrangeiras já em utilização por forças europeias.

Duas equipas industriais francesas estão a desenvolver propostas concorrentes: uma composta por Safran e MBDA, e outra por Thales e ArianeGroup. Em paralelo, sistemas internacionais como o Chunmoo sul-coreano, o PULS israelita e o HIMARS norte-americano também estão em análise.

A necessidade é considerada urgente pelo Exército francês, que vê esta capacidade como essencial para resistir nos primeiros dias de um eventual conflito de grande escala. O objetivo passa pela aquisição de 26 sistemas e cerca de 300 munições, permitindo equipar progressivamente um batalhão até 2030.

Substituição urgente e dilema estratégico
A França pretende substituir os seus atuais sistemas Lance-Roquettes Unitaire, cuja vida útil termina em 2027. Esta pressão temporal obriga a uma decisão difícil entre apostar na soberania industrial nacional ou optar por soluções mais rápidas disponíveis no mercado internacional.

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Segundo o Defense News, o processo de decisão terá em conta fatores como custos, prazos de entrega e capacidade operacional, num equilíbrio entre rapidez e autonomia estratégica.

Novo míssil balístico com tecnologia hipersónica
Paralelamente, o país está a desenvolver um míssil balístico terrestre com alcance de 2.500 quilómetros, equipado com um veículo planador hipersónico manobrável. O projeto conta com um orçamento inicial de mil milhões de euros.

Embora o objetivo oficial aponte para 2035, há intenção de acelerar o calendário para aproximar a entrada em serviço de 2030. Uma das estratégias poderá passar por lançar uma versão inicial sem certas capacidades avançadas, como sistemas anti-interferência, que seriam integradas posteriormente.

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Reforço massivo de armamento

O plano de investimento francês inclui ainda a aquisição de mais de 6 mil milhões de euros em munições ao longo deste ano. Entre os sistemas previstos estão mísseis de cruzeiro SCALP, bombas guiadas AASM, mísseis antinavio Exocet e sistemas de defesa aérea como MICA, Mistral e Meteor.

Além disso, cerca de 320 milhões de euros serão destinados ao reforço da capacidade industrial, numa tentativa de preparar o país para um cenário de guerra prolongada, onde o volume de munições disponível poderá ser decisivo.

Evolução do Rafale e novos mísseis
A modernização das forças aéreas também faz parte desta estratégia. O desenvolvimento da versão F5 do caça Rafale arranca este ano, com um investimento significativo que inclui um novo motor mais potente e a substituição de sensores, nomeadamente o radar.

No campo do armamento, a França pretende acelerar o desenvolvimento de um novo míssil ar-terra de alta velocidade e criar um míssil ar-ar de longo alcance até 2030, ultrapassando as capacidades atuais.

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Drones de longo alcance a baixo custo
Outro projeto relevante é o desenvolvimento de drones de ataque de sentido único, com alcance de 3.000 quilómetros e capacidade para transportar cargas de 500 quilos. Estes drones serão produzidos pela indústria automóvel, com um custo unitário estimado em 120 mil euros, considerado competitivo face a outras soluções militares.

A estratégia francesa reflete uma mudança de paradigma na defesa europeia. Segundo o Defense News, a preparação para um eventual conflito até 2030 passa agora por considerar cenários de desgaste prolongado, onde a capacidade de produção e manutenção de armamento será determinante.

Neste contexto, o país procura reforçar simultaneamente a sua autonomia estratégica, capacidade industrial e prontidão operacional, numa resposta direta às novas ameaças no cenário internacional.

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