Roberta Metsola defende Europa a duas velocidades como “caminho para a unidade” da União Europeia

A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, defendeu a possibilidade de alguns Estados-membros avançarem mais rapidamente na integração europeia, considerando que um modelo de “Europa a duas velocidades” pode funcionar como um “caminho para a unidade” e não como um fator de divisão dentro da União Europeia.

Pedro Gonçalves

A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, defendeu a possibilidade de alguns Estados-membros avançarem mais rapidamente na integração europeia, considerando que um modelo de “Europa a duas velocidades” pode funcionar como um “caminho para a unidade” e não como um fator de divisão dentro da União Europeia.

Numa entrevista ao programa Europe Today, da Euronews, a responsável sublinhou que o Parlamento nunca se opôs a que determinados países prossigam projetos de integração mais profunda antes dos restantes, frisando que “nunca fomos contra que os Estados-membros avancem mais”.

As declarações surgem na sequência de um retiro informal de líderes europeus realizado na quinta-feira no Castelo de Alden Biesen, na Bélgica, onde se discutiram formas de reforçar a competitividade económica do bloco e ultrapassar bloqueios políticos que têm atrasado reformas estruturais.

Metsola recordou que este tipo de integração diferenciada já existe em áreas centrais do projeto europeu, apontando exemplos como o Espaço Schengen e o Euro, onde nem todos os Estados participam da mesma forma. Para a presidente do Parlamento, “isto não é um obstáculo nem um atalho para a unidade; é antes um caminho para a unidade”.

Embora o encontro informal não tenha produzido conclusões escritas, os líderes discutiram a possibilidade de recorrer a uma “união a duas velocidades” para acelerar reformas económicas consideradas essenciais para relançar o crescimento europeu, privilegiando a rapidez em detrimento da unanimidade.

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou apoio ao princípio da cooperação reforçada, mecanismo que permite a um grupo mínimo de nove Estados-membros avançar com políticas comuns sem necessidade de acordo de todos. Também o presidente francês, Emmanuel Macron, foi mais longe ao defender um “pacote completo” de medidas económicas, incluindo financiamento conjunto até junho, admitindo que, se não houver consenso entre os 27, a solução poderá passar por esse formato mais restrito.

Esta mudança de abordagem assume particular relevância num bloco que historicamente privilegia o consenso, sendo a unanimidade a base de muitas decisões estratégicas.

Março visto como momento decisivo
A presidente do Parlamento alertou ainda para a urgência de resultados concretos. Na sua perspetiva, a União dispõe de “uma janela estreita” até ao próximo Conselho Europeu, marcado para março, para apresentar medidas tangíveis e definir um calendário claro de execução.

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Nesse contexto, defendeu um compromisso total com a conclusão da União dos Mercados de Capitais, da União Bancária, da União da Poupança e Investimento e da União da Energia, considerando estas reformas fundamentais para manter a competitividade europeia num ambiente geopolítico cada vez mais exigente. Segundo afirmou, estas mudanças “vão tornar mais fácil investir, crescer, inovar e expandir na Europa”.

Metsola apontou ainda três prioridades imediatas para o próximo ano, sustentando que 2026 deverá ser o ano em que a União “salva a indústria automóvel”, reforça os setores onde já é líder de mercado e conclui mais acordos comerciais.

Questionada sobre se o apelo de Ursula von der Leyen para que os co-legisladores “façam a sua parte” constituía uma crítica ao Parlamento, a dirigente rejeitou essa leitura, garantindo que “absolutamente não” se tratava de censura, mas sim de “um apelo comum à ação”. Acrescentou que o Parlamento há muito pede à Comissão propostas de simplificação legislativa e que “agora temos as propostas em cima da mesa e estamos a trabalhar bastante depressa sobre elas”.

Com o debate sobre a integração diferenciada a ganhar peso político, a ideia de uma Europa a várias velocidades surge, assim, como uma das principais vias consideradas para desbloquear reformas económicas e reforçar a coesão do projeto europeu.

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