Ano do cavalo começa esta terça-feira: o que significa 2026 no horóscopo chinês

Esta terça-feira assinala-se o início do Ano Novo Chinês, também conhecido como Festival da Primavera ou Ano Novo Lunar.

Pedro Gonçalves

Esta terça-feira assinala-se o início do Ano Novo Chinês, também conhecido como Festival da Primavera ou Ano Novo Lunar. A celebração, que marca simbolicamente a chegada da primavera, é amplamente comemorada na China e em vários países do Leste Asiático, reunindo milhões de pessoas em torno de tradições ancestrais.

Entre os rituais mais emblemáticos está a reunião familiar em grandes refeições festivas, num período que privilegia o reencontro e a partilha. As crianças recebem habitualmente dinheiro em envelopes vermelhos, conhecidos como “hong bao”, um gesto associado a votos de prosperidade e boa sorte para o novo ciclo.

O arranque do Ano Novo Lunar coincide também com a rotação do zodíaco chinês, estruturado num ciclo de 12 anos, cada um representado por um animal. Em 2026, entra em cena o cavalo — mais concretamente, o cavalo de fogo.

O ciclo do zodíaco e a lenda da grande corrida
O horóscopo chinês organiza-se em torno de uma sequência de 12 animais. Diversas narrativas explicam a sua origem, sendo uma das mais conhecidas a lenda da “grande corrida” convocada pelo Imperador de Jade, uma importante divindade da tradição chinesa. Segundo a história, todos os animais foram convidados a participar numa corrida, e os 12 primeiros a chegar obteriam o seu favor, passando a integrar o zodíaco.

A ordem de chegada estabeleceu a sequência que perdura até hoje: rato, boi, tigre, coelho, dragão, cobra, cavalo, cabra, macaco, galo, cão e porco.

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As pessoas nascidas nos anos de 1918, 1930, 1942, 1954, 1966, 1978, 1990, 2002, 2014 e 2026 têm o cavalo como signo no horóscopo chinês. Para além do animal, cada ano está associado a um dos cinco elementos — madeira, fogo, terra, metal ou água. Assim, 2026 corresponde ao ano do cavalo de fogo.

Na cultura tradicional chinesa, o cavalo simboliza força, velocidade, coragem, lealdade, liberdade e talento. De acordo com o horóscopo chinês, quem nasce sob este signo tende a ser descrito como corajoso, firme, íntegro, fiel e independente.

Personalidades nascidas sob o signo do cavalo
Entre as figuras públicas que partilham o signo do cavalo encontram-se nomes de diferentes áreas, da política ao cinema, da música à gastronomia.

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O antigo Presidente da África do Sul, Nelson Mandela, o ator de filmes de artes marciais Jackie Chan, os realizadores Ang Lee e Martin Scorsese, a atriz Zoe Saldana, o músico Paul McCartney e o chef britânico Gordon Ramsay são alguns dos exemplos.

Também o astronauta norte-americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a Lua, nasceu sob este signo. Ao colocar os pés na superfície lunar, declarou a célebre frase: “Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade”.

Uma relação milenar entre humanos e cavalos
A ligação entre humanos e cavalos remonta a milhares de anos e atravessa civilizações. No antigo Egito, os equinos puxavam carruagens; na mitologia grega, eram figuras recorrentes; e no século VI a.C., corriam no Circo Máximo, em Roma.

Na China antiga, o cavalo ocupava igualmente um lugar de destaque. O mausoléu do primeiro imperador chinês, Qin Shi Huang, inclui a representação de um exército funerário em terracota que integra centenas de cavalos em tamanho real, posicionados ao lado de carruagens e unidades de cavalaria.

De acordo com investigações arqueológicas, a domesticação do cavalo começou há cerca de seis mil anos na estepe ocidental da Eurásia, numa vasta região que se estende da atual Ucrânia ao sudoeste da Rússia e ao norte do Cazaquistão. À medida que os rebanhos domesticados se espalhavam, comunidades locais capturavam-nos e cruzavam éguas selvagens com esses animais, contribuindo para a diversidade genética que caracteriza a espécie atualmente.

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Ainda hoje, no Cazaquistão e na Mongólia, os cavalos continuam a ser valorizados como meio de transporte e sustento, bem como símbolo de herança nómada — um papel que já desempenhavam nos tempos de Genghis Khan, quando exércitos atravessavam continentes.

Na Península Arábica, criadores beduínos preservaram linhagens equinas através de tradição oral, mantendo genealogias de memória em vez de registos escritos.

Durante milénios, os cavalos foram o meio de transporte mais rápido e fiável ao dispor da humanidade. Transportaram exércitos, puxaram arados e carroças, asseguraram o envio de correspondência e ligaram rotas comerciais distantes, desempenhando um papel central na expansão de impérios muito antes da invenção da máquina a vapor ou dos motores a combustão. A sua importância é tal que, ainda hoje, a potência dos motores automóveis continua a ser medida em “cavalos”.

Símbolo de liberdade e adaptação extrema
Quase todas as raças de cavalos têm uma história própria. O mustangue, por exemplo, descende dos animais reintroduzidos na América do Norte pelas expedições espanholas no início do século XVI, depois de os cavalos terem sido extintos no continente no final da última Era Glacial. Animais que fugiram ou foram libertados tornaram-se os antepassados dos atuais mustangues. O próprio termo deriva do espanhol “mesteño”, que significa animal sem dono.

Vivendo em manadas nas pradarias norte-americanas, estes cavalos foram rapidamente adotados e integrados pelas nações indígenas, transformando profundamente a mobilidade, a caça, o comércio e a guerra.

A imagem de velocidade e liberdade associada ao cavalo inspirou também o nome de um dos automóveis mais icónicos do século XX, o Ford Mustang.

Já no extremo norte da Sibéria, os cavalos iacutianos destacam-se pela extraordinária capacidade de adaptação. Com pelagem espessa e constituição robusta, conseguem sobreviver a temperaturas inferiores a -60 °C. Possuem ainda a capacidade de reduzir o metabolismo e a temperatura corporal central, entrando num estado descrito como “hibernação em pé”, que lhes permite conservar energia sem deixarem de se movimentar ou pastar durante o inverno ártico. Segundo os cientistas, trata-se de uma das adaptações evolutivas mais rápidas alguma vez registadas na espécie.

Novas funções na relação com os humanos
Nas últimas décadas, a relação entre humanos e cavalos ganhou novas dimensões. A equoterapia tem sido utilizada no apoio a pessoas com perturbação de stress pós-traumático, autismo, ansiedade e deficiência, explorando a sensibilidade dos cavalos à linguagem corporal e às emoções humanas.

Essa mesma capacidade de percecionar mudanças subtis no comportamento humano tornou-os parceiros valiosos em formações de liderança. Os cavalos reagem de imediato a sinais de tensão, inconsistência ou falta de clareza, levando os participantes a refletir sobre a forma como comunicam, lideram e estabelecem limites.

Neste início do Ano do Cavalo de Fogo, a simbologia do animal, associada a força, dinamismo e liberdade, cruza-se assim com uma história milenar de interdependência entre humanos e equinos, que continua a evoluir no presente.

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