Portugal continental vai enfrentar esta quarta-feira um novo pico de instabilidade meteorológica, com chuva persistente e por vezes forte, vento intenso e agitação marítima, num quadro que mantém elevado o risco de cheias e inundações, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
De acordo com a Proteção Civil, o episódio meteorológico que afeta o país desde o início da semana atinge esta quarta-feira um dos momentos mais críticos, com precipitação contínua em grande parte do território, vento com rajadas fortes no litoral e nas terras altas e condições favoráveis à subida rápida dos caudais dos rios. Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, vários cursos de água encontram-se já no limite da capacidade, o que aumenta a probabilidade de transbordos e inundações urbanas.
A precipitação será mais frequente e intensa nos distritos do Norte e do Centro, alargando-se ao litoral Oeste, Área Metropolitana de Lisboa e Alto Alentejo ao longo do dia, enquanto no Baixo Alentejo e no Algarve a chuva deverá ser menos expressiva. O vento ganhará também protagonismo, com rajadas que podem atingir cerca de 75 quilómetros por hora na faixa costeira e valores próximos dos 100 quilómetros por hora nas terras altas.
O cenário meteorológico é influenciado por uma massa de ar muito húmido de origem tropical, associada a um rio atmosférico que transporta grandes quantidades de vapor de água para o território continental. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, este fluxo favorece episódios de precipitação persistente e localmente intensa, com temperaturas acima do normal para a época, o que contribui para o aumento dos caudais, incluindo por efeito do degelo em zonas montanhosas.
Os riscos associados mantêm-se elevados, nomeadamente a possibilidade de cheias em rios e ribeiras, inundações rápidas em meio urbano e deslizamentos de terras, em especial nas bacias hidrográficas do Mondego para norte, onde os solos estão saturados.
A partir de quinta-feira, prevê-se um ligeiro desagravamento temporário das condições meteorológicas, com períodos de chuva mais dispersa e algumas abertas, embora a instabilidade não desapareça. Para os dias seguintes, os modelos apontam para a passagem de novas frentes atlânticas, mantendo a probabilidade de precipitação em várias regiões do país.














