Diretores pedem mais autonomia para poder contratar e reconduzir professores

Diretores escolares pediram hoje ao Governo mais autonomia para poder reconduzir e contratar novos professores e a implementação de um modelo transitório que permita contratar licenciados sem formação pedagógica que teriam, depois, formação e acompanhamento nas escolas.

Executive Digest com Lusa

Diretores escolares pediram hoje ao Governo mais autonomia para poder reconduzir e contratar novos professores e a implementação de um modelo transitório que permita contratar licenciados sem formação pedagógica que teriam, depois, formação e acompanhamento nas escolas.

“É melhor ter um licenciado sem formação pedagógica do que ter alunos sem aulas”, disse Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), após a reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, e a secretária de Estado da Administração Escolar, Maria Luísa Oliveira.

A tutela convidou as duas associações de diretores para ouvir as suas opiniões sobre como deverá ser, no futuro, o recrutamento e a admissão de professores e quais as habilitações exigidas para a docência, no âmbito da revisão Estatuto da Carreira Docente (ECD), que começou no final do ano passado.

Para os diretores, a atual falta de professores obriga a avançar com medidas imediatas que resolvam “o problema rapidamente e o melhor possível”, resumiu o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

“No que toca à habilitação para a docência não queremos facilitismos, mas terá de haver um alargamento da base de recrutamento transitório, que seria enquadrado e acompanhado por mecanismos de formação e de supervisão feito por professores que já estão nas escolas há muito tempo”, explicou Filinto Lima.

Continue a ler após a publicidade

Os diretores pedem mais autonomia para poder acompanhar estes licenciados e, no final, decidir “se podem ou não ficar” a dar aulas, acrescentou Manuel Pereira.

Os dois representantes defenderam que este deverá ser um “modelo transitório”, apesar de parecer estar ainda distante o fim das histórias de alunos sem aulas: “Não se vai resolver nesta década. Se calhar vamos precisar da próxima década para se resolver”, disse Filinto Lima.

Além disso, acrescentou Manuel Pereira, a falta de professores “é grave e transversal ao país inteiro”, gerando falta de equidade entre as crianças: “Imagine-se dois alunos que querem entrar para o mesmo curso superior com uma média alta em que um nunca teve aulas e o outro teve todas as aulas”.

Continue a ler após a publicidade

“Não queria misturar a falta de professores com o ECD. Temos um bom estatuto, mas nos últimos 36 anos houve muitas alterações provocadas por legislação avulsa que descaracterizou o estatuto”, disse Manuel Pereira, alertando para o perigo de “se mexer no Estatuto da Carreira Docente (ECD) à luz da atual falta de professores”.

Para o presidente da ANDE, bastava mexer na carreira, na avaliação e no estatuto remuneratório, tornando “a profissão mais apelativa”, com melhores salários.

Outra das sugestões apresentadas hoje no ministério é uma reivindicação antiga dos diretores que gostavam de poder reconduzir professores de um ano para o outro e poderem recrutar uma percentagem dos seus professores, um “tema tabu”, que Filinto Lima gostaria de ver novamente discutido.

“Os sindicatos matam logo o mal pela raiz, mas deveríamos discutir a possibilidade de as escolas poderem recrutar uma percentagem dos seus professores”, defendeu Filinto Lima.

Ao final da tarde, o ministério recebe precisamente os sindicatos de professores para uma reunião de trabalho sobre a “Habilitação para a docência, recrutamento e admissão”, no âmbito da revisão do ECD.

Continue a ler após a publicidade

Antes de entrar para o encontro, o secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), Pedro Barreiros, disse à Lusa que os sindicatos recusam uma diminuição da exigência para o exercício da docência, com recurso a professores não profissionalizados.

“Não estamos desligados do contexto atual da falta de professores, mas não vamos permitir que se reduza a exigência de formação. Não queremos que os nossos alunos fiquem sem aulas, mas temos de defender a qualidade da nossa carreira”, disse Pedro Barreiros.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.